Marx e o Inimigo Bolívar

Hugo Chávez não poupa esforços para aproximar a sua "revolução bolivariana" dos princípios socialistas. Mas Karl Marx (1818-1883) via o herói venezuelano Simón Bolívar (1783-1830) - cujos restos mortais Chávez está exumando para comprovar sua autenticidade - como um traidor e um covarde.

Leonardo Trevisan, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

As opiniões do autor de O Capital sobre o "Libertador" tornaram-se conhecidas quando foi reencontrado o texto escrito sobre Bolívar por Karl Marx em 1857, a convite, como verbete para The New American Cyclopaedia.

Marx aponta no texto a suposta traição de Bolívar, em agosto de 1812, ao general independentista venezuelano Francisco de Miranda. Segundo Marx, Bolívar convenceu Miranda a dormir na casa de um de seus comandados para , depois, entregá-lo às forças espanholas. Miranda foi entregue por Bolívar ao comandante espanhol Domingo Monteverde.

Marx insiste que esta foi só a primeira de seguidas traições e fugas de combate, incluindo o abandono de comandados. Marx também descreve as farras com verbas públicas de Bolívar e expõe a incompetência militar do venezuelano, sem poupá-lo de ironias, repetindo o apelido dado a Bolívar pelo general Piar, o conquistador da Guiana: Napoleão das retiradas.

Para Marx, o processo revolucionário na América Latina era mais um "assunto próprio de um punhado de separatistas locais que não contavam com o apoio das massas". Marx descreve os atos arbitrários de Bolívar: "Dois meses de festejos e bailes em Pamplona, depois da contribuição forçada para um exército de 9 mil homens dos habitantes de Nova Granada."

A "fraseologia pomposa federalista" do Libertador também não o impressionou. Marx notou que a pretensão constitucional de Bolívar era de que a união do Estado só podia ser obtida pelo "poder permanente e vitalício, do qual desaparecessem as assembleias e eleições populares".

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