Maryland deve ter seu 1º governador negro

Caso confirme seu favoritismo, o democrata Anthony Brown se tornará apenas o quarto afro-americano da história do país a governar um Estado

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2014 | 02h02

Promotora aposentada, Barbara Rice passou o dia de ontem na entrada do Colégio Bethesda-Chevy Chase fazendo campanha para candidatos democratas no Estado de Maryland. A cada eleitor que passava, ela entregava uma "cola" da extensa cédula de votação, com um "x" ao lado dos nomes dos candidatos de seu partido aos 16 cargos em jogo, entre eles governador, senador, deputados e xerife.

A seu lado, o candidato democrata a procurador-geral do Estado, Brian Frosh, cumprimentava eleitores e tentava avaliar o impacto do que havia visto nos locais de votação desde 7 horas sobre o resultado da eleição. "A participação está fraca, o que não favorece Anthony Brown", disse, em referência ao candidato a governador do Partido Democrata.

Mesmo nesse cenário, Brown deve se tornar o quarto negro a ser eleito para o cargo de governador da história dos EUA e o primeiro no Estado de Maryland. O país que elegeu Barack Obama para a presidência, em 2008, tem atualmente um único governador negro: Deval Patrick, de Massachusetts, que se aposentará no fim do ano.

Antes, Douglas Wilder foi o primeiro negro a ser eleito governador nos EUA, quando venceu a eleição no Estado de Virgínia, em 1989. O segundo foi David Paterson, eleito governador de Nova York, em 2007.

Identidade. "Será importante ter um governador negro em Maryland", afirmou Joe Brown, que é branco e filiado ao Partido Verde. Na eleição de ontem, ele votou no democrata e em Tim Willard, candidato de sua legenda ao conselho do Condado de Montgomery.

Ontem, pelo menos dois eleitores democratas disseram ao Estado que haviam votado no candidato republicano ao governo do Estado, em razão da insatisfação com o aumento de impostos em Maryland.

Registrado como eleitor, Joe Brown não precisou apresentar nenhum documento para votar. Deu seu nome, sua data de nascimento e assinou um documento no qual atestava ser quem dizia que era. "Eu tinha um documento com foto no bolso, mas eu os questionaria se me pedissem para apresentá-lo. Eu tenho o direito de votar sem apresentar uma identificação", afirmou.

No entanto, em outros 20 Estados existem leis que exigem documentos com foto para votação. Na maioria deles, as medidas estavam em vigor pela primeira vez ontem. Entidades de defesa dos direitos civis sustentam que a exigência restringe o exercício do voto e é inconstitucional por estabelecer uma espécie de imposto sobre os eleitores.

Novas leis. Nos EUA, não há um documento de identidade para todos os cidadãos. Em seu lugar, o que é usado com mais frequência é a carteira de motorista. No entanto, nem todos os americanos têm carro ou dirigem e alguns não têm dinheiro suficiente para pagar pelo documento. Em Washington, a carteira de motorista custa US$ 53 (R$ 133).

A maioria das novas leis foi aprovada depois de a Suprema Corte anular, no ano passado, dispositivo da Lei sobre Direitos de Voto que obrigava Estados com histórico de discriminação racial a submeter ao governo federal qualquer mudança em sua legislação eleitoral. Os democratas sustentam que as exigências atingem de maneira desproporcional a população negra e pobre, que tende a votar em seus candidatos.

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