Acervo/Estadão
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'Cem Anos de solidão' retratou o Massacre das Bananeiras

MEDELLÍN - A memória da histórica violência na Colômbia virou literatura. O Massacre das Bananeiras, citado por Luiz Ángel García em sua conversa com o Estado, aconteceu em 1928 em Aracataca, terra natal de Gabriel García Márquez. Gabo, que retratou o episódio em "Cem Anos de Solidão", tinha um ano quando irrompeu uma greve. Os grevistas trabalhavam na produção de bananas para exportação pela multinacional dos EUA United Fruit Company, na região de Magdalena.

WILSON TOSTA, ENVIADO ESPECIAL / MEDELLÍN

17 Outubro 2015 | 16h00

A pauta incluía aumento salarial e direitos sociais, como descanso semanal remunerado e contrato coletivo de trabalho. Na madrugada de 6 de dezembro de 1928, uma concentração de grevistas foi metralhada por militares. Pelo menos mil pessoas morreram, embora a maioria dos corpos tenha sumido.Uma contagem oficial apontou apenas nove mortos e três feridos. Outras admitiram até 20 vítimas fatais. A tradição oral aponta que a maioria dos cadáveres teria sido lançada no mar. Também teriam ocorrido assassinatos de ativistas nas três semanas seguintes.

García Márquez descreve o ato na estação ferroviária, com cerca de 3 mil pessoas, à espera de autoridades, a ordem de um capitão para que se dispersassem e o matraquear de "quatorze ninhos de metralhadoras". Em sua narrativa cheia de "realismo fantástico", o escritor conta que tudo parecia uma farsa. Nela, talvez as armas estivessem carregadas com fogos de artifício. Disparavam, mas a multidão não se mexia, não reagia. Parecia "petrificada por uma invulnerabilidade instantânea". Até que o "encantamento" foi quebrado por "um grito de morte": "Aaaai, minha mãe".

Um processo foi aberto pelo advogado e político liberal Jorge Eliecer Gaitán .Vinte anos depois do massacre, candidato à presidência, Gaitán foi morto a tiros, em 9 de abril de 1948. O crime desencadeou "La Violência" , um período de conflito armado entre liberais e conservadores que durou até 1960. Foram 200 mil mortos, entre policiais, paramilitares, militares, rebeldes, civis.

O conflito ainda em curso no país começou nos anos 60. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (Farc-EP) surgiram no meio da década. Eram uma milícia de camponeses, ligada ao Partido Comunista. Da cobrança de "impostos" sobre a produção de coca, as Farc passaram à produção, a partir dos anos 90, por decisão de congresso. Outros grupos da esquerda armada se formaram:. Eram o Exército Popular de Libertação (EPL), maoísta; Exército de Libertação Nacional (ELN), guevarista; e Movimento 19 de Abril (M-19), nacionalista-revolucionário. As Farc e o ELN, embora enfraquecidos, ainda atuam. 

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