Massacre de sunitas deixa 13 mortos na Síria

Rebeldes denunciam que forças do governo alauita praticaram a matança, cujas vítimas foram, na maioria, mulheres e crianças da mesma família

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h13

Ativistas que lutam pela deposição do ditador sírio, Bashar Assad, afirmaram que a s forças leais a Damasco mataram pelo menos 13 integrantes da mesma família - em sua maioria mulheres e crianças - no vilarejo sunita de Baida. No mesmo dia, rebeldes curdos libertaram um líder insurgente de uma milícia ligada à Al-Qaeda em troca de 300 civis que tinham sido feito reféns.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade com base em Londres que representa os militantes sírios antigoverno, pelo menos quatro mulheres e seis crianças da mesma família foram mortas no massacre em Baida - a segunda matança de caráter sectário ocorrida na localidade sunita desde o início do levante contra Assad.

"Um parente foi procurar por eles hoje (ontem) e encontrou os (três ) homens baleados do lado de fora. Os corpos das mulheres e das crianças estavam dentro de um quarto da casa e moradores da região disseram que alguns dos corpos foram queimados", disse Rami Abdelrahman, diretor da ONG.

Em maio, milícias pro-Assad - que é de origem alauita, um ramo do islamismo xiita - mataram mais de 50 moradores de Baida e outros 60 da cidade de Banias. Os corpos das vítimas - muitas delas crianças - foram encontrados carbonizados e mutilados.

Baida faz parte de um bolsão com população sunita na província mediterrânea de Tartus, que concentra também presença de alauitas.

Barganha. O comandante rebelde identificado como Abu Musaab - da milícia sunita Estado Islâmico do Iraque, ligada à Al-Qaeda - foi capturado em Tal Abyad durante um combate contra militantes curdos na noite do sábado, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Os combatentes islamistas retaliaram cercando civis que acreditavam ser parentes dos curdos para usá-los como moeda de troca.

Milicianos curdos têm lutado para expulsar rebeldes ligados à Al-Qaeda - muitos deles estrangeiros - da Província de Hassakeh, no nordeste sírio, há pelo menos uma semana. Os combates - que no sábado se espalharam para a região da fronteira com a Turquia - já deixaram mais de 60 mortos de ambos os lados.

Ontem, a imprensa estatal da Síria afirmou que as forças leais a Assad mataram "dezenas" de rebeldes em uma emboscada que fizeram nas imediações de Damasco.

Nas últimas semanas, o governo sírio tem têm avançado na ofensiva contra os rebeldes em diversos fronts. / REUTERS E AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.