Massacre deixa mais de cem mortos no Quirguistão

Uma multidão quirguiz incendiou casas e cafés usbeques e assassinou muitos habitantes usbeques hoje no pior massacre étnico registrado no Quirguistão em 20 anos. Mais de 75 mil usbeques fugiram e atravessaram a fronteira do Usbequistão, tentando se livrar das balas em uma corrida desesperada em busca de segurança.

AE-AP, Agência Estado

13 de junho de 2010 | 16h28

Triunfantes, os quirguizes tomaram o controle da cidade de Osh, de cerca de 250 mil habitantes e a segunda maior cidade do Quirguistão, país pobre da Ásia Central e em grave crise política e econômica. Poucos usbeques ainda constroem barricadas em seus bairros. Incêndios são encontrados em toda a cidade e comida é rara. Policiais e militares não são encontrados na cidade.

O massacre que começou na quinta-feira à noite parecia que tinha como objetivo enfraquecer o governo interino do Quirguistão, que subiu ao poder depois que o ex-presidente Kurmanbek Bakiyev foi derrubado em um sangrento levante em abril. Bakiyev fugiu do país. Os usbeques apoiaram o governo interno, enquanto muitos quirguizes no sul apoiaram o presidente deposto.

Os Estados Unidos, a Rússia e a Organização das Nações Unidas expressaram preocupação diante da escalada de violência registrada e discutiram como podem ajudar os refugiados. A Rússia enviou um batalhão extra para proteger sua base área no nordeste do país. A maioria dos refugiados usbeques na fronteira são pessoas idosas, mulheres e crianças, com os homens permanecendo nas propriedades para defendê-las. Muitos chegaram com ferimentos de balas, o Ministério de Emergência do Usbequistão informou, de acordo com a imprensa russa. "Nós vimos muitos mortos. Eu vi um homem morrer depois de ser atingido por uma bala no peito", contou Ziyeda Akhmedova, uma mulher usbeque em torno de 30 anos em um dos muitos campos armados rapidamente na fronteira do Usbequistão para amparar os refugiados.

A presidenta interina Roza Otunbayeva culpou Bakyyev por instigar o massacre, dizendo que o objetivo era impedir o referendo constitucional de 27 de junho e as novas eleições programadas para outubro. De seu exílio na Bielo-Rússia, ele negou qualquer papel na violência e culpou as autoridades interinas por fracassarem em proteger a população.

Escalada da violência - O governo interino ordenou que as tropas militares atirassem nos manifestantes para matar, mas mesmo isso não impediu o crescimento da violência que já deixou mais de cem mortos e cerca de 1.250 feridos. Médicos dizem que o número exato de vítimas pode ser bem maior porque as minorias usbeques feridas estão com muito medo de serem atacadas novamente para irem até os hospitais.

Os ataques se multiplicaram hoje e chegaram até Jalal-Abad, outra grande cidade do sul do país, a 70 quilômetros de Osh, com os quirguizes metodicamente incendiando casas, lojas e bares usbeques. Os manifestantes estão atacando delegacias de polícia da região para roubar mais armas de fogo.

A polícia e os militares seguem na defensiva na região sul, evitando confrontos diretos com a multidão. Voos para Osh e Jalal-Abad foram canceladas e os aeroportos estão fechados.

O Quirguistão possui bases aéreas dos Estados Unidos e da Rússia, mas elas estão no norte, longe dos conflitos. A Rússia recusou o pedido do Quirguistão de ajuda militar embora tenha enviado forças para proteger sua base aérea. A base norte-americana de Manas na capital, Bishkek, é um ponto crucial para o abastecimento da coalizão que luta contra o Taleban no Afeganistão. Neste momento, a base de Manas está trabalhando com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e com o governo interno para ajudar a levar alimentos e medicamentos para os refugiados.

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