Massacre deixa pelo menos 32 mortos na Etiópia

Ataque acontece em meio à violência étnica que pressiona o primeiro-ministro Abiy Ahmed

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 18h20

ADDIS ABABA,  ETIÓPIA - Pelo menos 32 civis foram mortos no domingo na região de Oromia, no oeste da Etiópia, durante um ataque de um grupo rebelde, informou nesta segunda-feira, 2, o órgão nacional de monitoramento de direitos humanos, que falou em um "massacre". 

"Os números oficiais registram a morte de 32 civis, mas os primeiros indícios (...) sugerem que é muito provável que o saldo ultrapasse essa contagem", disse a Comissão Etíope de Direitos Humanos (EHRC) em um comunicado. 

O ataque ocorre em meio a um contexto de crescente violência étnica que pressiona o primeiro-ministro Abiy Ahmed, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2019 e é originário da mesma região de Oromia. 

De acordo com o EHRC, os ataques foram "dirigidos contra membros do grupo étnico Amhara", o maior na Etiópia depois dos Oromos. 

As autoridades regionais de Oromia haviam anteriormente acusado um grupo armado, o Exército de Libertação Oromo (OLA), de liderar o ataque na área de Wollega. “Cidadãos pacíficos foram assassinados (...) de uma forma horrível”, indicaram em nota, sem citar o número das vítimas. 

Um sobrevivente, contatado por telefone pela AFP nesta segunda-feira, disse que o ataque deixou dezenas de mortos. Ele explicou que os agressores agiram logo após a retirada repentina e inexplicável dos soldados da região. “Depois que nos reunimos, eles abriram fogo contra nós, antes de roubar os animais e incendiar as casas”, disse a testemunha, anônima por motivos de segurança. “Contei mais de 50 corpos e sei que outros foram atingidos pelas balas”, acrescentou. 

O EHRC "pede às autoridades federais e regionais que iniciem prontamente uma investigação independente sobre este massacre e esclareçam as razões para a retirada dos militares desta área há muito conhecida por ser vulnerável a ataques."

O OLA, que aparentemente tem milhares de membros, se separou da Frente de Libertação Oromo (OLF), um grupo de oposição que renunciou à luta armada após o retorno do exílio de seus líderes depois que Abiy chegou ao poder em 2018. O governo responsabilizou o OLA por uma série de assassinatos, bombardeios, assaltos a bancos e sequestros em Oromia. /AFP

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