AP Photo/Ahn Young-joon)
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Análise: Massacre dividirá mais os políticos

Ao contrário de outras tragédias recentes nos EUA, o massacre em Orlando não deve unir os políticos americanos na busca de soluções

Anita Kumar e Lesley Clark* - MCT , O Estado de S. Paulo

14 Junho 2016 | 05h00

Ao contrário de outras tragédias recentes nos EUA, o massacre em Orlando não deve unir os políticos americanos na busca de soluções. Esse atentado chama a atenção para alguns assuntos abrasadores: restrições à compra de armas e ataques que têm como alvo americanos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros – e deve continuar a dividir uma nação já fraturada em meio a uma eleição disputada.

“Uma tragédia como essa polariza a população instantaneamente”, disse Joseph Young, professor da School of Public Affairs da American University, que realiza estudos sobre a violência. “Por natureza, esses ataques desencadeiam reações realmente controversas.” 

Os democratas exigem mais restrições na legislação sobre aquisição de armas e mais proteção para gays e lésbicas. “A população americana está suplicando para, com base no senso comum, adotarmos medidas adequadas para prevenir a violência pelas armas e temos de escutar sua súplica”, disse o senador democrata de Connecticut Richard Blumenthal.

Os republicanos se concentram mais no terrorismo e na necessidade de combater o Estado Islâmico. “Enfrentar a ameaça de radicalização violenta dentro do nosso país é um dos maiores desafios para a nossa comunidade de inteligência e policial”, afirmou o senador republicano da Flórida Marco Rubio. 

No domingo, parecia que o massacre não conduziria a nenhuma mudança específica. “Em vez de tirarmos algo de bom dessa tragédia, ela está polarizando um eleitorado já bastante polarizado nesta eleição”, disse John Hudak, bolsista do Brookings Institution. Quando ocorreram os s ataques terroristas em 11 de setembro de 2001, democratas e republicanos colocaram de lado suas diferenças, com membros de ambos os partidos trabalhando com a Casa Branca para dar ao então presidente George W. Bush poderes para usar a força contra os responsáveis pelos atentados.

“Depois do 11 de Setembro, os EUA se uniram”, escreveu Ian Bremmer, cientista político, presidente e fundador do Eurasia Group, empresa de consultoria e pesquisa de risco político global. “Depois de Orlando, o país parece mais politicamente dividido como jamais vi.” Depois de um tiroteio em uma escola primária em Newton, Connecticut, que causou a morte de 26 pessoas, incluindo 20 crianças, em 2012, pouca coisa mudou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* SÃO JORNALISTAS

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