Massacre do 'Domingo Sangrento' será considerado 'ilícito', diz 'Guardian'

Episódio deixou 14 ativistas norte-irlandeses mortos pelo Exército em 1972

estadão.com.br

11 de junho de 2010 | 11h29

 

LONDRES - O esperado relatório sobre o massacre do "Domingo Sangrento", quando 14 ativistas norte-irlandeses morreram baleados pelo Exército em 1972, concluirá que a ação do Exército foi ilegal, segundo informações obtidas pelo jornal The Guardian.

 

A investigação de 12 anos a respeito das mortes, a mais longa da história do Reino Unido, será concluída com um relatório que será publicado na terça-feira, colocando pressão sobre o Serviço de Promotoria Pública da Irlanda do Norte para processar os soldados envolvidos no episódio.

 

O massacre ocorreu em janeiro de 1972, quando ocorria uma marcha pelos direitos humanos em Derry. O Exército interveio na manifestação e disparou contra os ativistas, todos desarmados, e deixou 14 mortos. O episódio ficou conhecido como o "Domingo Sangrento".

 

A matança desatou protestos nacionalistas contra os britânicos por toda a Irlanda do Norte, e, segundo analistas, aumentou o apoio ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pela emancipação do país perante o Reino Unido.

 

O resultado das investigações será divulgado às 3h30 da terça (12h30 no horário de Brasília), quando o primeiro-ministro David Cameron anunciar sua publicação no Parlamento. Espera-se que cerca de 10 mil pessoas marchem em Derry, onde acompanharão o resultado das investigações e reproduzirão os passos dos ativistas mortos.

 

O início das investigações foi determinado por Blair e pelo então secretário da Irlanda do Norte, Mo Mowlan, em 30 de janeiro de 1998, no 26º aniversário do massacre, quando os líderes disseram que havia "novas evidências" que endossariam o processo.

 

Na época, ambos estavam concentrados nas negociações entre os nacionalistas e os unionistas, que posteriormente levaram ao Acordo de Belfast, que iniciou o processo de paz na Irlanda do Norte. Fontes ligadas às investigações, porém, dizem que o estabelecimento da investigação "não tem nada a ver com o acordo".

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