Massacre em escola fundamental deixa 20 crianças e 7 adultos mortos nos EUA

Um atirador matou ontem 20 crianças e 6 adultos em uma escola de ensino fundamental em Newtown, no Estado americano de Connecticut, e morreu. A mãe do suspeito - professora da escola- foi encontrada morta na casa dele, no mesmo Estado. Segundo a polícia, o suspeito foi identificado como Adam Lanza, de 20 anos. É o pior massacre nos EUA desde Virginia Tech, em 2007.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h03

Consternado, o presidente Barack Obama decretou luto oficial e chorou durante pronunciamento (mais informações na página A18) no qual se solidarizou com as famílias das vítimas. O governador de Connecticut, Dan Malloy, agradeceu o apoio do presidente Obama e disse que ninguém está preparado para receber a notícia como a de ontem. "Foi uma tragédia inominável", disse.

Das crianças mortas, 18 morreram na escola e outras 2 no Hospital de Danbury, em razão dos ferimentos. Entre os adultos mortos, estão o diretor da escola, um psicólogo. Os tiros foram disparados em duas salas de aula em um dos andares da escola.

A polícia encontrou duas pistolas automáticas - uma Glock e uma Sig Sauer - na escola e umfuzil Bushmaster .223 em um carro no estacionamento. As armas estavam registradas em nome da mãe, Nancy Lanza.

Ao longo do dia, houve relatos conflitantes sobre a identidade do atirador. Adam foi confundido com seu irmão Ryan Lanza, de 24 anos. No final da noite, Ryan depôs. Segundo a polícia, ele está colaborando com as investigações e não tem tido contato com o irmão recentemente.

Há duas versões sobre a origem da confusão que envolve a identidade do suspeito: a primeira é a de que o nome dos irmãos foi trocado por um policial que preencheu o boletim de ocorrência. A segunda é a de que o corpo de Adam teria sido encontrado com a identidade de Ryan. Fotos do irmão mais velho do suspeito correram o mundo, assim como seu perfil em redes sociais (mais informações nesta página).

A polícia de Newtown recebeu um chamado de emergência às 9h30 (12h30, no horário de Brasília) da Sandy Hook Elementary School, onde estudam cerca de 626 crianças e adolescentes, segundo o tenente da Polícia de Connecticut, J. Paul Vance. Uma equipe da Swat foi enviada para reforçar a resposta policial. Detalhes sobre a operação não foram revelados até as 20 horas de ontem (horário de Brasília).

A polícia informou que o a tirador estava vestido com roupas escuras, colete à prova de bala e máscara no rosto. Ele trazia quatro armas, segundo testemunhas. Mas a polícia confirmou o recolhimento de apenas duas: uma pistola e um fuzil automático. O suspeito disparou pelo menos 100 vezes. Uma segunda pessoa foi detida no bosque próximo à escola e interrogado. Mas não foi confirmada, até a noite de ontem, sua identidade, sua coautoria no crime, nem se ele era o irmão do atirador. Ele teria gritado para a polícia, ao ser pego: "Eu não sou o culpado".

A chegada da polícia permitiu a retirada da escola das crianças em pânico e desagasalhadas, apesar da temperatura abaixo de zero. Já do lado de fora, professores tremiam e choravam. Todos tiveram antes de passar por uma revista. O diretor da escola, Dawn Hochsprung, também estaria entre os mortos.

"Todo mundo estava traumatizado", relatou Mergim Bajraliu ao principal jornal da cidade, The Newtown Bee. Morador nas proximidades da escola, Bajraliu, de 17 anos, estava em sua casa quando ouviu os tiros e correu para ter notícias de sua irmã, estudante de 9 anos.

Alexis Wasik, estudante de 8 anos, relatou ter ouvido os tiros e visto uma das professoras assistentes do jardim de infância ser retirada em uma maca. "Eu ouvi bum! bum!", descreveu Eva Lestik, de 5 anos, para a rede de televisão CBS, já nos braços de sua mãe, Terese. "Estou horrorizada", afirmou a mãe.

Um outro aluno, de 9 anos, disse que estava no ginásio quando ouviu os tiros. "Estávamos todos lá quando ouvi barulhos muito altos", disse o menino, tremendo e chorando, amparado pelo pai, à rede de TV NBC. "Pensamos que alguém tinha derrubado alguma coisa. Então ouvimos gritos e barulhos de tiros."

Segundo o menino, alguém pediu que as crianças levantassem as mãos para o alto, seguido de um grito de "não atire". Os meninos se esconderam nos vestiários do ginásio. "Foi então que alguém apareceu e nos levou ", acrescentou / COM AP E NYT

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