REUTERS/Malin Palm
REUTERS/Malin Palm

Massacre étnico deixa ao menos 95 mortos em vilarejo no centro do Mali

País vive desde 2012 episódios regulares de violência ligados a grupos jihadistas e disputas entre grupos tribais rivais

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 11h51

BAMAKO - Ao menos 95 habitantes de um vilarejo da etnia dogom em Sobane-Kou, no centro do Mali, foram mortos na madrugada desta segunda-feira, 10, por homens armados.

"De acordo com moradores locais, homens armados vieram atirar, roubar e queimar. Era um vilarejo de 300 habitantes, que foi totalmente desolado", declarou um político de Koundou, onde está localizado o vilarejo.

O norte do Mali vive desde 2012 episódios regulares de violência ligados a grupos jihadistas. Zonas inteiras do país ainda escapam ao controle das forças malineses, francesas e da ONU, apesar da assinatura em 2015 de um acordo de paz para isolar os extremistas.

A violência se concentra sobretudo no centro do país, com conflitos intercomunitários, um fenômeno vivido igualmente por Burkina Faso e Níger.

Em 2015, um grupo extremista islâmico começou a recrutar pessoas da etnia peul e passou a perseguir as etnias bambara e dogom, praticantes de agricultura, que criaram seus próprios "grupos de autodefesa". Especula-se que o ataque possa ser uma retaliação a uma ofensiva contra os peuls que deixou 157 mortos no mês passado. 

Segundo um recente relatório da ONU, esta violência interétnica deixou 250 mortos entre janeiro e maio, tudo isso sem contar a violência que, por sua vez, é perpetrada por grupos jihadistas.

No massacre de hoje, os observadores descartam a participação jihadista porque estes últimos costumam atacar símbolos do Estado (polícia, eexército e funcionários do governo) e não tanto povoados da sociedade civil, mas até o momento não há nenhuma reivindicação sobre o ataque. / AFP  e EFE

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.