Susan Walsh/AP
Susan Walsh/AP

Massacre expõe tabu sobre arsenais

Obama e Romney tentam evitar brigas com grupos organizados e eficientes na defesa do livre comércio de armas

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h05

NOVA YORK - O massacre durante o filme do Batman em um cinema de Aurora, com seus 12 mortos, foi insuficiente para alterar o debate sobre o direito ao porte de armas nos EUA. O mesmo havia ocorrido em uma série de episódios no passado, em Columbine, Virginia Tech e, mais recentemente, em um atentado contra uma deputada americana no Arizona.

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O presidente Barack Obama e seu adversário republicano, Mitt Romney, preferiram não comprar briga com os defensores da 2.ª Emenda da Constituição dos EUA, que prevê o direito de todos os cidadãos americanos que não tenham antecedentes criminais possuir armas.

No passado, o atual ocupante da Casa Branca, diferentemente de agora, havia defendido um maior controle. Romney chegou a ir ainda mais longe ao aprovar a proibição de armas de ataque, o que inclui fuzis, mas não pistolas, quando era governador de Massachusetts, um Estado visto como moderado no tema. Agora, ambos nem mesmo voltaram a repetir essas posições.

O temor de bater de frente com a Associação Nacional do Rifle (ANR), como é conhecido o poderoso lobby das armas, e seus simpatizantes, faz sentido se os políticos olharem as pesquisas. No começo dos anos 90, de acordo com o instituto Gallup, 78% dos americanos apoiavam maior restrição à venda de armas. Esse número caiu para 43%.

O Brookings Institution, em editorial, afirmou que o "massacre de Aurora é mais uma lembrança de que os políticos americanos fracassaram em agir para controlar os armamentos. Na maior parte dos países industrializados, assim como nos emergentes, seus cidadãos entendem melhor que revólveres e armas semiautomáticas matam. E, diferentemente dos EUA, eles aprovaram leis para controlar melhor a venda dessas armas".

Nos EUA, há 89 armas para cada cem habitantes, segundo levantamento publicado pelo Brookings. Na Alemanha, são apenas 30, embora o total de homicídios seja dez vezes menor. Na Grã-Bretanha, onde há apenas seis armas para cada cem pessoas, o índice de assassinatos é 20 vezes menor do que nos EUA.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, tem cobrado uma posição mais firme dos candidatos. No Estado, há mais de cem anos está em vigor o Sullivan Act, lei proibindo as pessoas de carregar armas. O conservador American Enterprise Institute ironiza as posições de Bloomberg e também do Brookings.

"Quando monstros cometem crimes, falamos do problema das armas. Quer dizer, pessoas em Washington, Nova York e outras grandes cidades falam do problema das armas porque eles pensam que esse é o problema. A ironia é que, claro, essas cidades possuem os maiores índices de assassinatos, mas são nesses lugares que é mais difícil conseguir armas legalmente."

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