'Mata Zetas' ganham apoio de mexicanos

O desespero e a indignação com a violência do narcotráfico no México levou a população do Estado de Veracruz não só a tolerar, mas também a receber bem os "Mata Zetas", grupo paramilitar de assassinos de integrantes do cartel mais violento do país.

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h05

"Deixem que se matem" e "Qualquer coisa que nos livre dos bandidos que estão massacrando a população" são algumas das opiniões manifestadas por ouvintes questionados por uma rádio local. Eles manifestam o pensamento da maioria dos cidadãos de Veracruz, o mais recente Estado a ser tragado pela guerra às drogas.

Há poucas informações sobre os responsáveis pela onda de assassinatos de membros do cartel Los Zetas. Seria uma outra gangue? Militares agindo em nome do governo? Um grupo paramilitar cuja presença é tolerada pelas autoridades e população?

Em um vídeo, um grupo de homens mascarados assumiu a responsabilidade pela onda de assassinatos, qualificando-os como uma "operação de limpeza". Muitos dos corpos tinham a letra Z marcada nas costas com tinta. O misterioso grupo anunciou que estava em Veracruz como "braço armado do povo e para o povo".

"Pedimos que oficiais do Exército e autoridades que apoiam os Zetas deixem de protegê-los e informamos às Forças Armadas que nosso único objetivo é acabar com o cartel", afirmou um porta-voz do grupo. "Somos combatentes anônimos, mexicanos sem rosto, com orgulho."

A precisão cirúrgica dos assassinos de Zetas levou alguns a presumir que o grupo teria o apoio implícito ou direto do governo ou do Exército. Alguns sugerem que o sequestro e assassinato, em junho, de três cadetes da Marinha, em Veracruz, teria levado soldados a agirem fora da lei. Autoridades descartam as especulações.

Questiona-se ainda o motivo pelo qual um esquadrão da morte clandestino publicaria vídeos no YouTube. Surgiram então suspeitas da ligação dos Mata Zetas com o cartel de Sinaloa. Se for verdade, eles seriam só mais um dos muitos grupos paramilitares filiados a cartéis da droga que disputam o território mexicano.

O próprio cartel Los Zetas começou como um braço militar do cartel do Golfo. Eram militares das forças de elite do Exército que combatiam inimigos do cartel. Os Zetas transformaram-se em um novo cartel após violento rompimento com o Golfo.

Veracruz está tomada pelo pânico. As ruas da cidade portuária, que normalmente tem uma vida noturna agitada, começam a ficar vazias. "Sempre houve violência, mas era velada", disse o padre Luis Felipe Gallardo Martin del Campo. "Agora, tudo é às claras". Até mesmo o presidente Felipe Calderón admitiu que o Estado de Veracruz está "nas mãos dos Zetas".

O governo tenta diminuir a importância do horror que o Estado vive e diz que ele é parte de um fenômeno nacional amplo pelo qual as autoridades não são responsáveis. / LOS ANGELES TIMES

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