Matança reabre nos EUA discussão sobre acesso a armas

No Connecticut, onde ocorreu o massacre, não é preciso permissão para a posse de armamento, mas venda é regulada

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h00

O massacre ocorrido ontem em Newtown, Connecticut, reabre nos EUA a discussão sobre o acesso da população civil a armas de fogo. A legislação vigente no Estado onde ocorreu a matança não exige nenhum tipo de autorização oficial para a posse de armas de fogo atualmente.

A única exigência para que os cidadãos portem armamento em Connecticut - e possam circular armados livremente dentro do Estado - é que eles sejam maiores de 21 anos. A compra de rifles e escopetas não requer mais do que a maioridade, mas a venda de pistolas e revólveres exige que os interessados em adquiri-los obtenham uma autorização específica. Como em muitos outros Estados americanos, não existe um registro completo de quantas armas a população civil possui em Connecticut.

A Segunda Emenda da Constituição dos EUA confere aos cidadãos do país o direito de possuir armas de fogo e a Suprema Corte americana sempre deliberou a favor da medida - diante de tentativas de Estados e cidades de limitá-la. Isso contribui para que os EUA sejam o país do mundo em que mais civis possuem armamento.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que entre 270 milhões e 300 milhões de armas de fogo estejam nas mãos dos americanos. Já o levantamento da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), que defende a Segunda Emenda, afirma que mais de 300 milhões de armas estejam nas mãos da população.

Em seu primeiro mandato, Barack Obama manteve silêncio sobre a questão. Em setembro de 2008, antes de ser eleito, ele prometeu: "Não vou retirar suas armas". No ano seguinte, ele firmou uma lei que ampliou o direito de portar armas nos parques nacionais do país.

Segundo uma pesquisa Gallup realizada no fim de 2011, 73% dos americanos são contra a proibição das armas de fogo para cidadãos que não integrem forças de segurança ou não possuam autorização específica. A mesma sondagem mostrou que 26% dos cidadãos são favoráveis à proibição do acesso da população a armas de fogo, a menor porcentagem de opiniões contrárias a armamentos já registrada no país. Há 20 anos, 41% dos americanos eram a favor da restrição.

Crítica. "A única maneira de honrar essas crianças mortas é exigir uma regulamentação rígida para as armas, o livre acesso a cuidados psiquiátricos e o fim da violência como programas de política pública", tuitou o documentarista Michael Moore, autor do filme Tiros em Columbine, de 2002, em que o cineasta comprova a facilidade de ter acesso a armas nos EUA discutindo o massacre que deixou 13 mortos em uma escola do Colorado, três anos antes. Moore criticou ainda as declarações do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que afirmou que ontem não era o dia para se discutir uma regulamentação da posse de armas de fogo no país (mais informações nesta página). "Quando será o momento, então?", questionou o cineasta. / EFE e AFP

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