Matar os 'infiéis'

Jihadistas do Estado Islâmico foram instruídos a eliminar cidadãos da coalizão liderada pelos EUA

GILLES, LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2014 | 02h03

Dias após os EUA formarem uma coalizão contra o Estado Islâmico (EI), o grupo fundamentalista sunita já retomou a iniciativa. O EI está bloqueado no norte do Iraque pelos peshmergas curdos e, em razão dos ataques aéreos americanos, dirige sua hostilidade e força contra a vizinha Síria.

A façanha do EI foi o apelo de seu porta-voz, Abu Mohamed al-Adnani, pela eliminação de cidadãos da coalizão liderada pelos EUA. A ordem é matar "os infiéis americanos ou europeus, particularmente os malvados e sujos franceses".

Adnani até fornece instruções. "Se não puderem encontrar explosivos ou munição", ele sugere que o americano ou aliado seja "apedrejado, esfaqueado, atropelado, jogado num buraco, sufocado ou envenenado". Percebe-se que Adnani é um liberal: não impõe uma forma especial de assassinato, mas deixa total liberdade a seus comandados: vale tudo.

O que torna as ameaças do EI verossímeis é o fato de o grupo dispor de imenso exército de assassinos. Entre os 30 mil jihadistas que combatem na Síria e no Iraque, há milhares de estrangeiros - 400 belgas, 950 franceses, ingleses, alemães. Um dia, essas pessoas voltarão aos seus países. Desse modo, o EI contará com "animais selvagens" para soltar quando quiser.

Globalização. Como foi formado esse estranho califado, tão antigo, tão recente e tão rápido em suas ações? Ele nasceu em junho como vários movimentos de resistência contra a ocupação americana no Iraque (2003-2011). O nome "califado" foi escolhido por inscrever a nova entidade na sequência histórica do Islã.

O EI se dotou de uma teologia político-guerreira, que estabelece como primeiro objetivo fixar-se na terra conquistada utilizando particularmente a rivalidade "sunita-xiita" no Iraque. O EI pretende fundar um Estado de forte consonância "escatológica", também chamado Estado "transfronteiras", dirigido pelo "califa" Abu Bakr al-Baghdadi.

É também nesta tradição, que o "califado" apela a seus jihadistas, pois eles têm um papel a desempenhar num conflito que Deus, que transcende as fronteiras e as nações, quis, programou e dirigiu. Em suma, uma nova variedade de globalização. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

Análise

Mais conteúdo sobre:
Estado Islâmico

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.