Material cirúrgico fica dentro de 1.500 pacientes/ano nos EUA

Os médicos esquecem esponjas, pinças e outras peças do instrumental cirúrgico dentro de cerca de 1.500 pacientes por ano, muitas vezes devido à tensão das emergências ou complicações descobertas durante a cirurgia, revela um estudo sobre os erros cometidos pelos médicos nas salas de operações.Tanto os pesquisadores como vários especialistas concordam, no entanto, em admitir que esse número de erros é pequeno em comparação com as aproximadamente 28 milhões de cirurgias realizadas anualmente nos EUA. Indicam, por outro lado, que é possível baixar estes números. "Isto demonstra que o sistema funciona. Apenas não funciona com perfeição", disse Verna Gibbs, uma cirurgiã da Universidade da Califórnia em São Francisco que realizou vários estudos sobre erros médicos.O doutor Sidney Wolfe, diretor de saúde da junta Public Citizen, foi mais crítico. Indicou que o número real de instrumentos cirúrgicos esquecidos pode ser maior, já que os hospitais não estão obrigados a informar às agências governamentais esses erros. Além disso, o estudo mostra que as equipes de cirurgia não haviam contado os instrumentos antes e depois da operação em um terço dos casos onde algum objeto foi esquecido. O que costuma acontecer durante as emergências."Não é algo que tome muito tempo", indicou Wolfe. "Não acho que seja dispensável." O estudo, que foi publicado na quinta-feira na revista The New England Journal of Medicine, foi realizado por investigadores de Brigham e do Hospital de Mulheres e da Escola de Saúde Pública de Harvard, ambas em Boston.É o estudo mais extenso e mais confiável sobre esse tipo de erro médico. Os pesquisadores verificaram os arquivos do seguro de cerca de 80.000 operações em Massachusetts durante 16 anos no final de 2001. Contaram 61 peças esquecidas em 54 pacientes. Foram pagas indenizações de US$ 3 milhões nos casos em Massachusetts, em sua maioria através de acordos.Muitos dos objetos eram esponjas, mas também havia pinças de metal e eletrodos. Os objetos são deixados geralmente na zona do abdome ou dos quadris, mas algumas vezes ficam no tórax, na vagina ou em outras cavidades. Freqüentemente provocam obstruções ou infecções.Um paciente morreu devido a complicações, mas os pesquisadores mantiveram reserva por razões de privacidade. A maioria dos pacientes necessitaram de um cirurgia adicional para a retirada do objeto, mas algumas vezes os instrumentos foram expulsos naturalmente pelo corpo ou retirados no consultório do médico. Alguns cientistas alegam que a fadiga pode ser o motivo de tais erros.

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