Material nuclear sírio foi alvo de Israel

Ataques aéreos à Síria, no início do mês, tiveram como objetivo carga vinda da Coréia do Norte, diz jornal

NYT, Washington, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

Depósitos com material nuclear importado da Coréia do Norte foram os alvos dos ataques aéreos de Israel à Síria do dia 6, segundo afirmam, sob a condição de não terem a identificação divulgada, funcionários do americanos e israelenses.O jornal Washington Post, que ouviu no fim de semana militares israelenses que participaram da operação, confirmou que os ataques estavam vinculados à chegada de um navio vindo da Coréia do Norte, que supostamente carregaria cimento, mas que na realidade escondia equipamento nuclear.O jornal The Times, de Londres, citando fontes do Mossad, o serviço secreto israelense, também disse que Israel destruiu material nuclear que os sírios importaram com a ajuda do paquistanês Abdul Qadeer Khan, o mesmo que vendeu segredos nucleares para Líbia e Irã. Para o diário britânico, a versão oficial de que os alvos eram armamento iraniano para o Hezbollah, a guerrilha libanesa apoiada por Teerã, estaria "totalmente desacreditada".O governo norte-coreano negou ontem qualquer cooperação nuclear com a Síria e afirmou que as acusações foram forjadas para atrapalhar as negociações com os EUA para o desmantelamento de seu arsenal atômico. No entanto, Andrew Semmel, funcionário do setor de não-proliferação nuclear do Departamento de Estado americano, declarou na segunda-feira que era grande a possibilidade de a Síria ter obtido material nuclear de "fornecedores secretos", já que havia um "número grande de técnicos estrangeiros no país". Quando indagado de onde eram os técnicos, Semmel respondeu: "Coréia do Norte, sem dúvida."As ligações entre a Síria e a Coréia do Norte vêm desde a presidência dos patriarcas Kim il-Sung e Hafez Assad. Recentemente, os filhos, Kim Jong-il e Bashar Assad, retomaram a cooperação militar. Prova disso seria a presença constante de sírios nos vôos que ligam Pequim a Pyongyang, capital da Coréia do Norte, e a visita do ministro de Comércio norte-coreano à Síria, em agosto.De acordo com o Times, a Síria teria hoje cerca de 120 mísseis Scud-C comprados da Coréia do Norte nos últimos 15 anos. Diplomatas ocidentais acreditam que engenheiros norte-coreanos estão trabalhando para ampliar o alcance atual de 500 quilômetros desses mísseis, o que significa que eles poderiam ser usados a partir do nordeste da Síria, justamente a área atacada por Israel. Especialistas acreditam que a Síria serviu de corredor para a passagem de US$ 100 milhões em tecnologia e equipamentos militares norte-coreanos para o Irã. A mesma rota, segundo eles, poderia estar sendo usada para fornecer material nuclear para a própria Síria.Para o Times, o ataque de Israel teria apresentado também um resultado inesperado ao provar que é possível penetrar com facilidade a defesa antiaérea síria, considerada mais eficiente que a do Irã. O próprio presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, enviou seu sobrinho, Ali Mehrabian, à Síria para avaliar os danos infligidos por Israel.HOSTILIDADE HISTÓRICA Guerra dos 6 Dias: Em 1967, Israel toma da Síria as Colinas de Golan Crise: Negociações de paz são interrompidas em 2000 Hezbollah: Em 2001, Israel ataca grupo extremista no Líbano e Síria ameaça retaliarPressão: Após Hezbollah seqüestrar soldados, em 2006, Israel ataca o Líbano. Síria intervém e pede fim dos ataques

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.