Matou os filhos e pode ser executada

A americana Andrea Pia Yates, de 36 anos, foi indiciada nesta quinta-feira por homicídio premeditado e pode ser condenada à pena de morte, pelas leis do Estado do Texas, por ter matado na quarta-feira os cinco filhos, de idades entre 6 meses e 7 anos, afogando-os na banheira da casa.Ela está detida em Houston sem direito a fiança. O marido de Andrea, Russell, de 36 anos, disse que os atos de sua mulher eram incompreensíveis, porque ela era "carinhosa e amava os filhos".Ele culpou a depressão pós-parto, da qual ela sofria desde que tivera o quarto filho. A morte recente do pai, segundo ele, agravou a doença. "Ainda amo minha mulher, embora agora tudo seja muito difícil", disse à imprensa diante de sua casa, em Houston, e exibindo uma foto da família sorridente, tirada há dois meses."Eu a apóio porque, se por um lado sei que matou nossos filhos, por outro sei que a mulher da foto não é a mesma. Ela estava fora de si." Em alguns momentos Russell lutava para conter as lágrimas, em outros, parecia calmo demais. Ele é engenheiro especializado em computação e trabalha no programa do ônibus espacial da Nasa. Andrea telefonou na quarta-feira para a polícia, dizendo que matara os cinco filhos, sem explicar o motivo. Quando os agentes chegaram à casa dela, a mulher estava com as roupas molhadas e transtornada. "Assassinei meus filhos", disse.Os corpos dos quatro mais novos - Luke, de 2 anos, Paul, de 3, John, de 5, e Mary, de 6 meses - estavam sobre a cama do casal, molhados e cobertos com um lençol. Noah, de 7 anos, foi achado na banheira, onde a polícia acredita que todos foram afogados. O marido contou que Andrea ligara para seu trabalho e lhe pedira que voltasse para casa com urgência. "Perguntei se havia alguém ferido, e ela disse que sim. "As crianças... todas elas", respondeu. "Meu coração ficou paralisado", disse ele. Quando Russell chegou, encontrou a polícia. Russel afirmou que Andrea sofria esporadicamente de severa depressão pós-parto desde que teve o quarto filho e tentou o suicídio em 1999. Ele explicou que ela tomava o remédio Hardol.Segundo a professora de psiquiatria Laurne Marangell, esse medicamento costuma ser usado em casos de psicose maníaco-depressiva aguda, doença que com freqüência conduz à violência e é mais severa que a depressão pós-parto.

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