Mau desempenho da economia é a maior ameaça à reeleição

Desemprego e risco de os EUA voltarem a entrar em recessão fazem Obama cobrar líderes europeus e republicanos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h08

Com os cálculos eleitorais ainda favoráveis à sua reeleição, o presidente dos EUA, Barack Obama, enfrenta um único fator capaz de derrotá-lo em novembro: a economia. Os sinais de redução do ritmo do crescimento, percebidos desde janeiro, tornaram-se mais fortes em maio, quando a taxa de desemprego voltou a subir no país, para 8,2%.

A crise na Europa e a omissão do Congresso americano diante dos pacotes de estímulo à economia da Casa Branca elevam o risco de recessão nos EUA - a segunda em menos de três anos. Obama surpreendeu na sexta-feira ao convocar a imprensa e pressionar líderes europeus a relaxar o ajuste fiscal de curto prazo e a permitir a retomada do crescimento. Também cobrou a omissão do Congresso, dominado desde 2011 pelos republicanos.

No primeiro trimestre de 2012, a economia americana cresceu 1,9%. Trata-se de um porcentual ligeiramente menor do que os 2% previstos para os EUA neste ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo documento divulgado em abril. Mas a cifra está aquém da expansão de 3,0% de crescimento real registrada no último trimestre de 2011.

A frustração com a geração de empregos em abril e em maio, entretanto, indicou a expansão cada vez mais lenta da economia do país. No mês passado, em vez dos 150 mil novos postos de trabalho esperados, apenas 69 mil foram abertos.

Para contornar a decepção do mercado com esses números e desestimular decisões ainda mais cautelosas dos empregadores, Obama e seus colaboradores insistem ter o país gerado 4,3 milhões de empregos nos últimos 27 meses, depois da perda de 8 milhões de postos por causa da depressão.

O setor privado, segundo o presidente, está "indo bem". Mas Estados e municípios estão em situação difícil. "Ele não está realmente fora de sintonia?", reagiu seu opositor Mitt Romney.

Para desgosto de Obama, o ex-presidente Bill Clinton declarou em programa de televisão na semana passada estar a economia americana "em recessão". Tecnicamente, o termo "recessão" não qualifica a situação do país. Mas esse temor não é injustificável e sua simples menção alimenta um círculo vicioso.

O resultado de pesquisas de opinião sobre o trabalho do presidente será, cada vez mais, um indicador de peso para o eleitor, nem sempre atento às travas para a recuperação econômica e à real responsabilidade do presidente pela situação vivida. A média calculada pelo Real Clear Politics na sexta-feira mostrava Obama com 47% de aprovação, e 47,1% de desaprovação. / D. C. M.

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