Mau tempo atrapalha resgate de reféns das Farc

Chuvas atrasam primeira fase da missão do 4º Batalhão do Exército brasileiro, criado após ataque da guerrilha

João Paulo Charleaux, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O mau tempo atrasou ontem a chegada à Colômbia da missão de resgate dos seis reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram libertar a partir de hoje. Caso as chuvas continuem fortes, a primeira fase do resgate terá de ser adiada. Coordenada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a operação humanitária conta com apoio logístico do Exército brasileiro.Após várias horas esperando o tempo melhorar, a equipe brasileira resolveu decolar da base de São Gabriel da Cachoeira mesmo sob chuva intensa. Os dois helicópteros, que haviam deixado Manaus na sexta-feira, pousaram às 19h20 (horário local) em território colombiano. Apesar do atraso inicial, a operação poderá se realizar dentro do prazo. Quando o helicóptero Cougar sobrevoar a selva para o resgate, o desenlace de meses de articulação internacional estará nas mãos de uma pequena equipe, guiada por cinco militares brasileiros. Eles foram destacados com outros 13 oficiais do 4º Batalhão de Aviação do Exército, em Manaus.Esta não será a primeira vez que os militares brasileiros estarão frente a frente com as Farc. A própria origem do 4º Batalhão está ligada às ações da guerrilha no Brasil. Em 1991, um ataque-surpresa do grupo na Serra do Traíra matou quatro militares brasileiros. Foi a primeira vez que as Forças Armadas sofreram baixas por um ataque direto das Farc. Os militares pediram reforço de helicópteros que vieram de São Paulo e "liquidaram os inimigos sem voltar para ver o que sobrou", segundo um oficial da região.O incidente deixou claro que o reforço das Forças Armadas na Amazônia era urgente. O número de efetivos na selva cresceu 350% em 30 anos, com a transferência de militares de batalhões e brigadas do Sul e do Sudeste. A estratégia buscou suprir uma defasagem na região, sem aumentar o número de militares recrutados.Foi essa mudança de eixo que permitiu a criação do 4º Batalhão, apenas dois anos depois do confronto com as Farc. Um novo contato com os guerrilheiros ainda aconteceria em 1998, dessa vez com o saldo de quatro mortos do lado das Farc. Novamente, os helicópteros provaram ser fundamentais.PROBLEMASHoje, o batalhão é composto por 500 homens e 11 helicópteros. Representa para o Exército a possibilidade de deslocamento ágil na selva.Sobrevoar a Amazônia é difícil mesmo para pilotos experientes. O clima da região muda bruscamente. Em setembro, um helicóptero Pantera do 4º Batalhão caiu na selva matando um capitão. A aeronave usada na operação de hoje é muito maior - um Cougar de cinco toneladas com capacidade para 25 pessoas - e pode, em caso de pane, não encontrar uma clareira que permita um pouso forçado. Os brasileiros levam rações desidratadas para até 15 dias, o que indica que a operação pode demorar. Em Bogotá, o CICV já havia advertido que a operação estará sujeita às condições climáticas.COLABOROU DAMARIS GIULIANA

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