Mau tempo não diminui presença de eleitores nos EUA

Em grande parte dos EUA, a terça-feira foi de chuva, mas o mau tempo não diminuiu o comparecimento às urnas, que bateu recordes em centros eleitorais como o de Lyon Park, na Virgínia. No local, um aprazível bairro de classe média, votaram durante o começo da manhã mais de 700 moradores. "Estou morta de cansaço e abrimos as portas há apenas 4 horas", disse Barbara McBride, uma das supervisoras do centro comunitário, que disse que o comparecimento havia sido muito mais alto do que o normal. O caso de Lyon Park é um bom reflexo das expectativas que havia para estas eleições, que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Para Jim Stutsman, fiel eleitor democrata de cabelos grisalhos que esperava na fila do centro comunitário da Virgínia para exercer seu direito de cidadão, a relevância deste pleito está em sua capacidade de definir o rumo dos dois últimos anos da gestão de George W. Bush. As eleições legislativas costumam ter caráter local, mas o polêmico governo Bush e seu virtual fracasso na guerra do Iraque fizeram com que o pleito tenha se transformado em um plebiscito sobre a presidência do texano. Russ Long, um corpulento capitão do Exército vestido com uniforme militar, e um dos poucos republicanos no centro eleitoral da Virgínia, sabe muito bem que o Iraque se transformou em motivo de constrangimento para o partido que, com reservas, ainda diz apoiar. "A verdade é que há muitos problemas com a guerra", disse, sem querer discutir, para em seguida garantir que "ainda" é republicano. As comedidas declarações de Long contrastaram com as de William Zamer, um cubano de 72 anos que votou nos republicanos na escola pública Silverbrook, na Virgínia, para manifestar seu apoio irrestrito ao presidente Bush. "Foi o melhor governante que tivemos. Eu sou republicano e estou de acordo com a guerra do Iraque e com a guerra contra o terrorismo. Bush é uma boa pessoa e fez um bom governo", disse. Maioria democrata A alguns quilômetros de distância, na escola pública Meyer, no noroeste de Washington, Iraque e Bush foram também o assunto do dia, mas, ao contrário do que acontecia na Virgínia, era impossível encontrar um republicano sequer. A escola Meyer fica em um bairro de maioria afro-americana, onde, quando se pergunta a alguém se vai votar no partido de Bush, a resposta é, simplesmente, uma risada. "Aqui somos todos democratas", assegura Rolando Roebuck, de origem porto-riquenha e voluntário do partido de oposição que fazia campanha para seu candidato à prefeitura, Adrian Fenty, nos arredores do colégio. Roebuck não hesita ao explicar as razões de seu voto: "Quero acabar com a máfia republicana que destruiu este país e a imagem dos EUA no mundo". Não faltou também quem, como Dee Hunter, outro partidário democrata, pedisse que um milagre devolva à oposição a maioria no Congresso, perdida há 12 anos. "Rezo para que os democratas possam se tornar supervisores da Casa Branca e discutam a fundo a guerra do Iraque e os negócios de empresas como a Halliburton", disse Hunter pouco depois de votar no colégio de Washington. Outros assuntos Apesar da discussão da guerra do Iraque, os eleitores foram às urnas com outros assuntos na cabeça, como a pesquisa com células-tronco ou o casamento entre homossexuais. Esse era, por exemplo, um dos temas que preocupava Sarah Schuster, uma jovem mãe da Virgínia, que não acha que "o casamento deve ser definido como a união de um homem e uma mulher". Além de escolher seus representantes no Capitólio, os americanos se pronunciam nesta terça-feira sobre 207 emendas, medidas e iniciativas em 37 estados. Os democratas saem como favoritos nas eleições desta terça-feira, embora as pesquisas mostrem que podem ter dificuldades para conseguir a maioria no Senado.

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