Máximo repressor do Chile já foi condenado a mais de 500 anos de prisão

Ex-general Manuel Contreras, que comandava a polícia política chilena, pega mais 15 anos por assassinato de casal em 1974

O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2015 | 20h29

SANTIAGO - O ex-general Manuel Contreras, que criou e dirigiu a primeira polícia repressiva da ditadura militar do Chile, acumulou 505 anos de condenações à prisão, após a Suprema Corte do país sentenciá-lo nesta quarta-feira a 15 anos de detenção pelo homicídio de um casal em 1974.

Contreras, de 86 anos, está em Punta Peuco, presídio criado após a ditadura para abrigar os violadores de direitos humanos condenados por crimes contra a humanidade. O tribunal superior do Chile condenou Contreras pela morte de Ana María Puga e Alejandro de la Barra Villarroel, em dezembro de 1974.

Outros quatro sentenciados pelo crime são conhecidos ex-agentes da Direção de Inteligência Nacional (Dina), criada por Contreras. Com esse veredicto, Contreras acumulou 58 sentenças definitivas, que somam 498 anos de prisão, aos quais se agregam mais sete cumpridos a partir de 1995 pelo assassinato em Washington do ex-chanceler e ministro da Defesa chileno Orlando Letelier e sua secretária americana, Ronni Moffitt, em 21 de setembro de 1976.

Antes de começar a cumprir a pena, Contreras se escondeu em sua fazenda no sul do Chile e esteve durante vários meses em um hospital naval.

A comprovada participação de Contreras no atentado a bomba contra Letelier e a negativa da Suprema Corte de autorizar sua extradição para os Estados Unidos marcaram o início das pressões, que acabaram com a dissolução da Dina, em agosto de 1977, e sua substituição pela Central Nacional de Informações por ordem do ditador Augusto Pinochet.

Segundo dezenas de investigações, enquanto Contreras comandava a polícia política foram cometidos os piores crimes contra a humanidade pela Dina, como prisões ilegais, torturas, homicídios, desaparições forçadas e atentados contra chilenos no exterior. Houve 40.018 mortes durante a ditadura chilena, das quais 3.095 foram de opositores assassinados. / AP

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