AFP PHOTO / Daniel LEAL-OLIVAS
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May se mantém no cargo com apoio de norte-irlandeses

Primeira-ministra fecha acordo com partido conservador protestante e irrita galeses, escoceses e nacionalistas católicos da Irlanda do Norte

Andrei Netto , Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 07h59
Atualizado 26 de junho de 2017 | 21h33

Pouco mais de duas semanas após o revés na eleição no Reino Unido, quando perdeu a vantagem necessária para comandar o Parlamento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, assinou nesta segunda-feira, 26, um acordo com o Partido Unionista Democrático (DUP), legenda conservadora protestante da Irlanda do Norte, garantindo estreita maioria no Legislativo. 

O entendimento inclui um pacote de 1 bilhão de libras em investimentos na economia irlandesa e era essencial para a sobrevivência do gabinete da premiê. Com os 317 assentos do Partido Conservador (Tories), mais os 10 do DUP, a premiê terá dois a mais que a maioria de 325 necessária para governar. Pelo acordo, os deputados do DUP apoiarão os projetos mais importantes do governo de May, como voto de confiança e orçamento.  

Ainda assim, não se trata de um acordo de coalizão, já que os conservadores irlandeses não terão cargos no gabinete. Em troca, May foi obrigada a aceitar exigências da líder protestante, Arlene Foster. Ontem, na saída da última reunião entre elas, a norte-irlandesa anunciou que Londres investirá 1 bilhão de libras (US$ 4 bilhões) em infraestrutura. “Esse dinheiro vai estimular a economia e o investimento em novas infraestruturas, assim como nos setores de saúde e educação”, disse Foster.

Estão previstas novas estradas, hospitais e rede de internet de alta velocidade, além de garantias sobre aposentadorias e um programa de subsídio para equipamentos de aquecimento residencial. O acordo foi criticado pela oposição porque prejudicaria o princípio de neutralidade de Londres em relação à disputa política entre o DUP, protestante e pró-Reino Unido, e o Sinn Féin, partido católico e favorável à unificação da Irlanda, que governavam a Irlanda do Norte em coalizão compulsória – parte do Acordo de Paz da Sexta-feira Santa, que encerrou 30 anos de violência, em 1998. Há seis meses, o poder está vago por falta de acordo entre os dois partidos.

Para Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista e principal opositor a May, o acordo entre Tories e DUP “não vai no sentido do interesse nacional”. Gerry Adams, líder do Sinn Féin, também protestou contra o entendimento, afirmando que a coalizão ameaça criar condições para o retorno de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte, integrante do Reino Unido, e a República da Irlanda, independente. 

Não bastasse a questão nacional da Irlanda, o acordo provocou indignação na Escócia e no País de Gales, também membros do Reino Unido. Os investimentos obtidos pelo DUP foram definidos como “escandalosos” e “inaceitáveis” pelo premiê galês, Carwyn Jones. Para Nicola Sturgeon, premiê escocesa, May se agarra ao poder. “Todo o sentido da igualdade foi sacrificado”, criticou.

O QUE GANHA O DUP

Investimentos totais: 1 bilhão de libras (R$ 4 bilhões) em novos projetos na Irlanda do Norte

 

Infraestrutura: 400 milhões de libras

 

Saúde e educação: 200 milhões de libras 

 

Programas variados: 400 milhões de libras em melhorias que incluem internet de banda larga

 

Aposentadorias: Garantia de que a lei que regulamenta aposentadoria não será alterada

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