EFE/Stephanie Lecocq
EFE/Stephanie Lecocq

May apela à oposição para se manter no cargo

Cresce a oposição dentro do Partido Conservador à liderança da premiê e negociador do Brexit ganha força por ser mais próximo da linha-dura

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 05h00

PARIS - Enfraquecida pela vitória sem maioria nas eleições de 8 de junho, a primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrenta um levante dentro do Partido Conservador e está ameaçada de substituição pelo ministro do Brexit. David Davis representa a linha dura da legenda nas negociações com a União Europeia e tem cada vez mais apoio para assumir o governo.

Há um ano no poder, May fará um discurso ao Parlamento hoje no qual pedirá apoio aos partidos de oposição, incluindo o Trabalhista, para enfrentar as negociações para o Brexit. 

Segundo o diário Guardian e a BBC, que tiveram acesso a trechos do discurso, a primeira-ministra pedirá aos partidos de oposição que contribuam, e não apenas critiquem. O objetivo político da declaração é passar a imagem de união nacional e fazer com que o líder de oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, também seja responsável pelas negociações do Brexit. “Em um momento crítico de nossa história, nós podemos ser tímidos ou podemos ser ousados”, dirá a premiê.

Corbyn ironizou a tentativa de aproximação da premiê e pediu a realização de novas eleições. Se a primeira-ministra quiser, eu ficarei feliz em lhe fornecer uma cópia de nosso programa eleitoral - ou melhor ainda, uma eleição antecipada, para que as pessoas do país possam decidir melhor”, disse.

Depois de defender uma negociação dura com a União Europeia em torno das condições do divórcio entre Londres e Bruxelas, Theresa May mudou de posição após o relativo fracasso eleitoral e agora busca o mais amplo consenso nacional em torno do tema. 

O discurso vem sendo encarado em Londres como uma tentativa de Theresa May de relançar seu governo, após a vitória amarga na eleição parlamentar. O resultado abalou a liderança de May, cada vez mais contestada internamente no partido. 

Ontem, representantes do grupo mais eurocético do Partido Conservador, conhecidos como “Angry Tories” - ou “ Conservadores raivosos” - criticaram o discurso de Theresa May. Um exemplo foi Brandon Lewis, ministro da Imigração, que afirmou via Twitter que os Trabalhistas “não têm nada a oferecer”, em uma crítica direta ao pedido de ajuda da premie.

Para analistas, May parece de fato não ter um plano concreto de negociações. “Os pontos fortes do governo do Reino Unido são menores do que antes das eleições gerais e suas fraquezas são maiores”, afirmou Tony Travers, da London School of Economics. 

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