AP Photo/Matt Dunham
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May promete investigação completa sobre incêndio em Londres

Premiê não foi ao local e nem fez aparições na televisão, mas seu porta-voz divulgou uma mensagem dizendo que ela está 'profundamente abalada' com a tragédia

Célia Froufe, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 14h19
Atualizado 14 de junho de 2017 | 17h45

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May,  prometeu nesta quarta-feira, 14, uma investigação completa sobre o incêndio que deixou ao menos 12 mortos na zona oeste de Londres. Mais cedo, ela se reuniu com membros do gabinete para obter respostas sobre as causas do incidente.  O incêndio teve início na madrugada de hoje, por volta da 1 hora da manhã

"Assim que o local for considerado seguro e quando conseguirmos identificar as causas do incêndio, teremos a investigação adequada sobre o incêndio", disse May em pronunciamento. "Quaisquer lições a serem aprendidas serão levadas em conta e as ações necessárias serão tomadas."

A premiê disse ainda que o incêndio adiou as negociações entre o Partido Conservador e o Partido Unionista Democrático (DUP) para a formação de um governo de minoria no Parlamento, uma semana após as eleições gerais. "As negociações continuam, mas o foco hoje foi a tragédia em Londres", afirmou. 

Pelo menos 12 pessoas morreram e 74 pacientes foram encaminhadas para hospitais da região e cerca de 20 estão em estado crítico, o que faz a polícia prever que o número de vítimas fatais deve subir.

 O episódio gerou resgates dramáticos, como o de mães que jogaram seus filhos pelas janelas numa tentativa de salvar suas vidas. Outros moradores improvisaram cordas feitas com lençóis e cobertores para abandonarem o local. "Ouvia-se crianças chorando e pais gritando pela janela: 'salvem meus filhos'", relatou uma testemunha à rede estatal de televisão BBC. 

O prefeito da cidade, Sadiq Khan, descreveu a situação como sem precedentes e a prefeitura declarou o caso como um "grande incidente", termo que também é usado em casos de atentados terroristas. As causas do incêndio ainda não foram identificadas, mas não há qualquer ligação até o momento com um possível atentado. "O foco agora está em buscas e resgates", disse o prefeito quando questionado sobre se o governo já tinha indícios do que poderia ter ocasionado o desastre.  

Política. Theresa May não foi ao local e nem fez aparições na televisão, mas seu porta-voz divulgou uma mensagem dizendo que ela está "profundamente abalada com a trágica perda de vidas na Grenfell Tower" e que pediu uma reunião com vários órgãos do governo às 16 horas local (12 horas em Brasília) para "garantir que o governo esteja pronto para auxiliar os serviços de emergência e as autoridades locais, conforme necessário". 

"Os pensamentos da primeira-ministra estão com todos os afetados por este terrível incidente e com os serviços de emergência, que estão trabalhando incansavelmente em circunstâncias muito difíceis", trouxe a mensagem.

Já o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista, que perdeu as eleições gerais para o Partido Conservador na semana passada, concedeu uma entrevista à BBC. Ele agradeceu o trabalho das equipes de emergência, disse que ficou "totalmente chocado" com a situação e descreveu o incêndio como "o pior pesadelo". 

O orador da Câmara dos Comuns reeleito ontem, John Bercow, (o equivalente ao presidente da Câmara dos Deputados no Brasil), disse na abertura dos trabalhos no Parlamento hoje que ficou "horrorizado com a tragédia". 

O Corpo de Bombeiros de Londres informou há pouco que pessoas foram resgatadas de diferentes andares do prédio e que a infraestrutura do edifício, construído em 1974, havia passado por inspeção. A polícia trabalha com a informação de que há 120 apartamentos no local distribuídos por 20 andares, além de outros quatro andares disponíveis para os moradores. Nos hospitais, há relatos de doações de roupas, comida e água para as vítimas do incêndio. A Polícia diz que ainda trabalha em "modo de emergência", apesar de o incêndio ter sido iniciado há mais de 12 horas. 

Apesar de as causas do incêndio ainda serem desconhecidas, residentes já tinham levantado preocupações em relação Pa possibilidade de ocorrer  um evento "catastrófico" no local. Eles fizeram alertas sobre problemas com os procedimentos de evacuação no prédio.

Tragédia. Em julho de 2009, seis pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridos em um incêndio na Lakanal House, uma torre em Camberwell, sudeste de Londres. Em maio de 1968, quatro pessoas foram mortas e 17 feridas quando Ronan Point, uma torre em Newham, no leste de Londres, desmoronou parcialmente depois de uma explosão de gás. 

Esta foi mais uma nova tragédia se abateu sobre Londres em 2017. Vítima de dois atentados terroristas - um em março e outro em maio -, a cidade agora procura respostas para o que ocasionou o incêndio em Grenfell Tower. Em meio a tanta desolação, as histórias de verdadeiros milagres começaram a aparecer, como a de crianças - até um bebê - que foram jogados pelas janelas do edifícios por suas mães e, pelo menos num primeiro momento, sobreviveram. / COM AP

 

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