REUTERS/Alkis Konstantinidis
REUTERS/Alkis Konstantinidis

May promete renunciar em troca de avanço no Brexit, mas ainda busca votos

Ela não estipulou uma data para a renúncia, mas isso deve ocorrer assim que o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia for concluído no Parlamento

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 14h44

LONDRES - Em um sinal de que reconhece ser mais impopular que o próprio plano apresentado por ela para tirar o Reino Unido da União Europeia, uma proposta rejeitada duas vezes pelo Parlamento, a primeira-ministra Theresa May aceitou nesta quarta-feira, 27, renunciar se seu texto for aprovado. A oferta dela foi aceita por parte dos conservadores que advogam por um Brexit sem acordo, uma ruptura radical com a UE, mas não encontrou respaldo no DUP, partido unionista da Irlanda do Norte. 

Com isso, May não tem os votos para aprovar o acordo, caso ele vá para uma terceira votação na Câmara dos Comuns. Nem mesmo a nova votação do acordo é dada como certa, uma vez que o presidente da Casa, John Bercow, levantou impedimentos regimentais contra a manobra. 

A oferta de renúncia foi feita dias depois de May conseguir com representantes da UE em Bruxelas um adiamento do prazo para o Reino Unido deixar o bloco para 12 de abril e de os membros da Câmara dos Comuns terem tirado do Executivo o comando do processo do Brexit. 

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Desde janeiro, May não consegue a maioria dentro de sua coalizão para aprovar o acordo em virtude de uma cláusula que prevê a manutenção do Reino Unido nas regras da UE caso não haja uma solução para a fronteira entre as duas Irlandas. 

Em virtude do Tratado da Sexta-Feira Santa, que pacificou a região em 1998, não pode haver fronteira física na ilha. Os conservadores mais radicais pró-Brexit e o DUP não aceitam que a Irlanda do Norte fique separada de alguma forma do restante do Reino Unido.

Apesar disso, o acordo negociado por May com Bruxelas prevê todos os termos exigidos pela campanha pela saída da União Europeia, como o fim do fluxo livre de pessoas no país, a jurisdição da Corte Europeia de Justiça sobre o Reino Unido e as contribuições financeiras do Estado britânico a Bruxelas.

Ontem, o Parlamento britânico votou oito possíveis opções ao Brexit, após tomar o controle sobre o processo de saída das mãos do governo na segunda-feira. Nenhuma das propostas obteve maioria. Após a divulgação dos resultados, os parlamentares iniciaram um debate sobre seus próximos passos. Hoje eles devem definir se votam novamente o plano proposto por May amanhã, ou se avaliam novas propostas na segunda-feira.

“Ouvi com clareza a vontade do Partido Conservador”, disse May na reunião. “Sei que há o desejo de novos líderes na segunda fase do Brexit e não serei um obstáculo para isso.”

Segundo comunicado divulgado por seu gabinete, a premiê disse estar preparada para deixar o cargo antes do previsto, após forte pressão do próprio partido diante de seu desgaste para negociar o Brexit . “Farei o que é correto para nosso país e nosso partido”, acrescentou May.

A oferta de May foi bem recebida pelo ex-secretário do Exterior Boris Johnson, um dos líderes pela campanha do “não”, que almeja substituí-la no cargo. Um dos principais aliados de May, Jacob Rees-Mogg, que liderava a campanha contra o acordo, agora diz que pretende votar a favor do texto. 

Apesar disso, não é garantido que May consiga o apoio de toda a bancada conservadora. O DUP, com dez votos cruciais para garantir a maioria de May no Parlamento, afirmou que segue contra o acordo e não se absterá da votação. “Não concordamos com nada que ameace a integridade do Reino Unido”, disse a líder do partido, Arlene Foster. 

O líder trabalhista Jeremy Corbyn criticou a decisão de May e não deu sinais de que vá votar a favor do acordo. Segundo ele, a barganha oferecida pela primeira-ministra mostra que o impasse no Brexit se deve a uma disputa pela liderança do Partido Conservador e do cargo de premiê. 

Caso o acordo não seja aprovado até 12 de abril, o Reino Unido pode pedir uma prorrogação do prazo até maio, desde que participe das eleições europeias de junho. / BLOOMBERG e NYT

Veja abaixo um gráfico interativo que mostra as renúncias de ministros nos governos britânicos desde 1979:

 

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