May diz a deputados que acordo prévio do Brexit entregará 'o que os britânicos queriam'

Primeira-ministra diz que país retomará controle sobre fronteiras, recursos e e leis; gabinete vota hoje o acordo

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 12h31

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse ao Parlamento nesta quarta-feira, 14, que o esboço de acordo sobre o Brexit com a União Europeia (UE) possibilitará que o país retome o controle de suas fronteiras, leis e recursos e manter áo país nas políticas agrícolas e de pesca do bloco. O gabinete de May, composto por alguns eurocéticos, se reúne na tarde desta quarta para endossar o acordo, em meio a rumores de que a premiê possa ter dificuldades para aprová-lo em virtude da regulamentação da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte

“Estou confiante que esse acordo nos levará de modo significativo ao que os britânicos queriam quando votaram no plebiscito”, disse May aos membros da Câmara dos Comuns. “Tomaremos o controle de nossas fronteiras, leis e recursos, deixando as políticas de pesca e agricultura comum, enquanto protegeremos empregos, a segurança e a integridade do Reino Unido.”

Anunciado na terça-feira, 13, sem maiores detalhes, o esboço do acordo foi criticado por membros do Partido Conservador que defendem o chamado “Brexit duro”, em concessões à União Europeia e com o retorno de uma fronteira formal entre o Reino Unido e a Irlanda. Sem os votos dessa facção do partido e dos unionistas irlandeses do DUP, May pode ter dificuldades de ratificar o acordo no Parlamento, uma vez que ele seja aprovado pelo gabinete.

May também rejeitou a hipótese de realizar uma nova votação. “Nós não vamos repetir o referendo, não iremos renegar a decisão do povo britânico”, disse. “Nós iremos concretizar o Brexit e o Reino Unido deixará a União Europeia no dia 29 de março de 2019”.

Caso o acordo não seja aprovado até março, o Reino Unido pode deixar o bloco de modo desordenado, o que poderia provocar uma série de transtornos comerciais, aduaneiros e de fluxo de pessoas. 

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista, chamou o acordo de “atabalhoado”. Como May lidera um governo de minoria,  mesmo que seu partido inteiro vote pelo acordo, ainda faltariam 5 votos para aprová-lo. O DUP, que governa com os conservadores e tem 10 assentos,  já manifestou uma oposição velada a manutenção de uma fronteira aberta com a Irlanda. Cerca de 50 conservadores eurocéticos também podem votar contra o pacto por considerá-lo favorável demais a UE. 

Os trabalhistas, os liberal-democratas e o Partido Nacionalista Escocês (SNP) também devem se colocar contrários a um acordo, embora alguns trabalhistas possam votar a favor para evitar que o Brexit ocorra de maneira desordenada. / REUTERS

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