EFE/ Madame Tussauds
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May ganha votação e sobrevida no Parlamento

Deputados rejeitam projeto que obrigava Reino Unido a ficar ligado à UE, caso não haja acordo com Bruxelas

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2018 | 21h12

Pressionada pela ala mais eurocética e radical do Partido Conservador, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, evitou nesta terça-feira a aprovação de um projeto de lei no Parlamento que obrigaria Londres a assinar uma união aduaneira com a União Europeia mesmo em caso de fracasso das negociações com Bruxelas. 

A vitória apertada, por seis votos, deu à premiê sobrevida no momento em que tem sua liderança contestada por aliados conservadores que desejam o “Brexit duro”, ou seja, uma saída sem acordo de livre-comércio. A nova fase da crise foi causada pela mudança na posição da premiê, que optou por um “Brexit suave”, ou seja, um divórcio amigável da UE, com manutenção de uma área de livre mercado.

Nesta terça-feira, May evitou uma derrota que poderia derrubá-la. Por 307 votos a 301, o Parlamento rejeitou um projeto que obrigaria o país a permanecer ligado à UE caso não haja acordo para uma saída negociada dos britânicos. A derrota enfraqueceria ainda mais seu governo, que nos últimos dias perdeu dois ministros favoráveis ao Brexit duro: Boris Johnson, das Relações Exteriores, e David Davis, do Brexit.

Mesmo com a vitória, May ainda pode enfrentar um voto de desconfiança no Parlamento nesta semana. A tendência é que seus rivais na bancada de seu próprio partido peçam que o tema seja levado à pauta de votações a partir desta quarta-feira.

De acordo com levantamento do jornal The Guardian, May teria uma estreitíssima margem de manobra que poderia mantê-la no cargo.

Ao mesmo tempo em que a primeira-ministra se afunda na crise política e na divisão interna entre os conservadores, cresce a pressão para que o governo britânico ceda e aceite a realização de um novo referendo sobre o tema. A votação seria realizada após o acordo firmado com a UE e decidiria se o Reino Unido deve de fato deixar o bloco.

Um dos nomes mais proeminentes a defender uma nova votação é o do ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair, que governou o país entre 1997 e 2007. “Já que o Brexit começou com um referendo, ele não pode terminar sem um novo voto”, defendeu. “Eu sou ardentemente contrário ao Brexit e continuo acreditando que isso pode mudar.” 

A defesa de um novo referendo também mobiliza o ex-primeiro-ministro conservador John Major, que governou o Reino Unido entre 1990 e 1997, após Margaret Thatcher. “Há algumas pessoas dentro do Partido Conservador que estão mais preocupadas em tirar o Reino Unido da UE do que com as consequências disto para os eleitores”, disse Major, criticando a própria legenda. Por enquanto, apesar da pressão sobre May, a premiê segue descartando a possibilidade de uma nova votação sobre o tema. 

 

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