Stefan Wermuth/Reuters
Stefan Wermuth/Reuters

May assume governo da Grã-Bretanha e instala líder do Brexit na chancelaria

Líder conservadora nomeia apenas uma mulher para o primeiro escalão e dá ao ex-prefeito de Londres Boris Johnson – um dos principais defensores da saída do país da UE – o importante cargo de secretário das Relações Exteriores

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2016 | 16h07

Horas depois de se tornar a segunda mulher a chefiar o governo britânico, a líder do Partido Conservador, Theresa May, de 59 anos, anunciou a nomeação de duas figuras de proa da campanha contra a União Europeia, Boris Johnson e David Davis, para os postos-chave de secretário das Relações Exteriores e de secretário do Brexit.

A posse de May ocorreu numa cerimônia formal com a rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham. Pouco antes, o também conservador David Cameron, que estava no poder desde 2010, apresentou oficialmente sua demissão. As cerimônias de sucessão incluíram uma última sessão de questões ao premiê demissionário no Parlamento, em Westminster, pela manhã, e a seguir a visita ao Palácio de Buckingham, onde Cameron entregou o cargo à rainha Elizabeth II. 

No início da noite, a formação do governo de May foi anunciada, e incluiu várias surpresas. A primeira delas foi a nomeação de apenas uma mulher para o primeiro escalão, quando se esperava um número recorde de presença feminina. 

Mas a maior surpresa foi o retorno à cena de Boris Johnson, ex-prefeito de Londres que havia liderado a campanha do Brexit, pela saída do país da UE. Acuado por vaias e pela traição de parte de seus aliados, Johnson, que chegou a ser considerado favorito para substituir Cameron, retirou-se da disputa pela liderança do Partido Conservador. Para muitos analistas, tratava-se de uma retirada da vida pública, mas seu retorno se deu menos de duas semanas depois, com a nomeação ao cargo de secretário das Relações

Exteriores. A escolha é ainda mais inesperada porque Johnson é considerado truculento e jamais primou pela diplomacia no trato com outros países. 

Mas Johnson não comandará as negociações para o “divórcio” com a UE. Para a secretaria do Brexit, criada para tratar das negociações entre Londres e Bruxelas, o nome escolhido foi o do “eurocético” David Davis, ex-secretário de Estado para a Europa no governo de John Major, entre 1990 e 1997. Assim, dois líderes da campanha pelo Brexit assumem a política externa do governo de May, que era contra o rompimento com a UE.

Apesar das nomeações, a primeira-ministra não fixou data para a saída, mas reiterou que o Brexit ocorrerá. “Agora que deixaremos a UE, nós vamos construir um novo papel audacioso e positivo no mundo”, afirmou, na primeira declaração no cargo.

Outra questão-chave será impedir o desmembramento do próprio Reino Unido, ameaçado por movimentos independentistas. “Acreditamos na união, no vínculo precioso entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte”, afirmou, prometendo lutar contra a desigualdade e por um país que não funcione “apenas para alguns privilegiados, mas para todo mundo”. 

Repercussão.  O porta-voz do Departamento de Estado Mark Toner disse que os Estados Unidos estão ansiosos para aprofundar a relação especial entre os dois países.

A desistência do ex-prefeito da capital ocorreu um dia após líderes europeus descartarem a possibilidade de que o Reino Unido possa vir a fazer parte do Espaço Econômico Europeu (EEE) sem permitir a livre circulação de trabalhadores e sem contribuir para o orçamento de Bruxelas.

Essas eram promessas de campanha de Johnson e dos movimentos eurocéticos. Na quarta-feira, líderes europeus como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reiteraram que as “quatro liberdades” previstas na UE - livre circulação de bens, de serviços, de capitais e de pessoas - são indissociáveis./ COM AFP

 

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