Ben Birchall / POOL / AFP
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May pede apoio ao seu acordo para evitar que deputados derrubem o Brexit

Primeira-ministra britânica apelou nesta segunda-feira, véspera da votação dos termos negociados por ela com a União Europeia, e disse que rejeição pelo Parlamento pode resultar em 'danos catastróficos' para a democracia

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2019 | 11h26

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta segunda-feira, 14, apoio ao seu acordo de saída da União Europeia (UE), para impedir que deputados, em geral pró-europeus, frustrem o Brexit, previsto para 29 de março.

Em discurso em Stoke-on-Trent, no norte inglês, ela advertiu que se o acordo for rechaçado na votação marcada para a terça-feira, a suspensão do Brexit "seria até mais provável" do que deixar o bloco em um acordo bilateral.

"Como vimos nas últimas semanas, há algumas pessoas (no Parlamento) que pretendem atrasar ou até deter o Brexit e usarão qualquer mecanismo para ter sucesso", disse May. "Peço aos deputados que pensem nas consequências que seus atos podem ter sobre a fé dos britânicos na democracia."

A premiê afirmou que, ainda que não satisfaça a todos, o acordo negociado pro ela é "o único sobre a mesa" e lembrou que o Parlamento tem a obrigação de "cumprir com o resultado do referendo de 2016", que deu vitória ao Brexit.

Em referência às alegadas manobras de alguns deputados, entre eles pró-europeus conservadores, para tentar controlar a agenda parlamentar e definir o processo futuro caso o pacto do governo seja derrotado, May questionou: "O que aconteceria se nós nos encontrássemos em uma situação em que o Parlamento votasse para tirar o Reino Unido da UE em oposição a um voto a favor da

permanência (no bloco)"?

"A fé do povo no processo democrático e em seus políticos poderia sofrer danos catastróficos", alertou. 

May se referia às várias articulações nos bastidores que, de acordo com o imprensa, são feitas por grupos de deputados que querem assumir o controle agenda parlamentar, normalmente definida pelo Executivo, a fim de definir os próximos passos se o acordo oficial for rejeitado.

Se as manobras deles prosperarem, os parlamentares poderiam propor moções para, por exemplo, adiar ou suspender o artigo 50 do Tratado de Lisboa - o que impediria o Brexit - ou vetar uma saída não negociada.

A Câmara dos Comuns continua nesta segunda-feira o debate de cinco dias sobre o acordo de saída da UE, que terminará amanhã com a votação histórica.

A fim de reunir apoio de última hora, o governo divulgou uma carta em que a UE oferece garantias de que é muito improvável que a cláusula de segurança seja aplicada para evitar fronteira física na ilha da Irlanda, um dos pontos mais controvertidos conflito do tratado.

"Espero que uma carta seja publicada em breve com as garantias do presidente do Conselho Europeu e do presidente da Comissão Europeia para dar tempo aos deputados para considerar essas garantias", declarou o porta-voz da Downing Street à imprensa em Londres.

Se May perder a votação na terça-feira, ela terá que apresentar um Plano B dentro de três dias úteis - no máximo em 21 de janeiro -, momento em que os deputados insatisfeitos com seu plano poderiam manobrar para forçar uma alternativa.

Espera-se também que, em algum momento do processo, o Partido Trabalhista apresente uma moção de censura contra o governo, que poderia resultar em eleições gerais. / EFE e AFP

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