REUTERS/Dylan Martinez
REUTERS/Dylan Martinez

May perdeu novamente

May pode tentar nova votação ou pedir mais prazo, mas líderes europeus não aguentam mais longos discursos

THE ECONOMIST, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 05h00

Nesta sexta-feira seria o dia em que o Reino Unido deixaria a União Europeia. Mas Theresa May foi vencida em nova votação na Câmara dos Comuns, quando os parlamentares rejeitaram o acordo proposto por ela. No entanto, sua derrota foi significativamente menor do que nas duas votações anteriores. Ela perdeu por 58 votos, em comparação com os 149 votos em 12 de março e 220 em 15 de janeiro.

Desta vez não foi tecnicamente um terceiro “voto significativo” porque se tratava apenas do acordo de saída do Brexit, excluindo a declaração política sobre a relação futura, que acompanha aquele texto. Antes da votação, a União Europeia havia anunciado que se o acordo fosse aprovado isso seria suficiente para estender o prazo estabelecido de 22 de maio, como foi pactuado na reunião de cúpula do Conselho Europeu na semana passada. Agora que a tentativa fracassou, o prazo legal permanece dia 12, daqui a apenas duas semanas.

O que deve ocorrer agora? Como a margem de derrota de Theresa May diminuiu, ela poderá tentar mais uma votação – embora o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, tenha descartado a possibilidade. Mas mesmo que encontre uma maneira de contornar o parecer de Bercow, ela deve ser derrotada novamente. A oposição ao acordo por parte dos radicais do seu partido e do Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, continua arraigada e o líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, não vê nenhuma razão para salvar a primeira-ministra.

Ao mesmo tempo, na segunda-feira, o Parlamento realizará uma segunda votação sobre que tipo de Brexit os parlamentares preferem. Como ocorreu na primeira rodada, é possível que nenhum plano obtenha maioria de votos. Mas é também possível que pelo menos uma proposta, mais provavelmente a ideia de uma união aduaneira permanente com a União Europeia, seja aprovada. Como também a realização de um referendo sobre qualquer acordo relacionado com o Brexit.

O governo não é obrigado a prestar atenção a esses votos indicativos. Mas a menos que consiga a aprovação de seu acordo do Brexit, terá de apresentar algum plano antes do dia 12 e evitar uma saída da União Europeia sem um acordo, opção que os parlamentares também votaram contra. Uma nova reunião do Conselho Europeu ocorrerá no dia 10, quando May terá de definir um caminho a seguir.

A premiê poderá sugerir emendas à declaração política para incluir uma união aduaneira permanente. É possível também que a chefe de governo opte por uma eleição antecipada ou mesmo outro plebiscito. Ao mesmo tempo, ela pedirá mais uma extensão do prazo.

Os líderes da União Europeia relutam em concordar com isso, porque não desejam mais assistir aos longos debates em Londres. Mas também querem evitar uma saída da Grã-Bretanha sem um acordo, especialmente antes das eleições para o Parlamento Europeu, no final de maio. Portanto, provavelmente concordarão com uma ampliação do prazo, pelo menos até o fim de maio, e possivelmente mais além. Mas uma condição que eles devem estabelecer é que se na ocasião o Reino Unido ainda for membro da União Europeia, terá de participar dessas eleições.

Isso levará a questão de volta para May, que já afirmou que seria um erro o Reino Unido participar das eleições europeias. Mas, confrontada com a alternativa de uma saída sem nenhum acordo no dia 12, ela certamente vai ceder.

Portanto, apesar de em junho de 2016 os eleitores terem decidido por plebiscito que o país deixaria a União Europeia, quase três anos depois ela pedirá a eles que elejam os parlamentares europeus. Não é de admirar que a primeira-ministra planeje renunciar antes da próxima fase de negociações do Brexit./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO  

© 2019 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.