Kerstin Joensson / AP
Kerstin Joensson / AP

May vai a Bruxelas com proposta de arranjos alternativos ao 'backstop'

Premiê vai passar a mensagem de que seu governo quer um consenso que não implique em uma fronteira entre as Irlandas

Célia Froufe / Correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 22h08

A primeira-ministra britânica, Theresa May, viaja nesta quinta-feira para a Bélgica para tentar encontrar uma solução para o impasse em torno do Brexit, como é conhecida a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Em Bruxelas, ela terá uma série de reuniões com representantes de autoridades europeias e vai passar a mensagem de que a meta do seu governo é encontrar uma maneira de garantir que se chegue a um consenso, e não haja uma barreira por causa do backstop.

O mecanismo foi incluído no acordo fechado entre Downing Street e as demais 27 lideranças do bloco comum como uma salvaguarda para impedir a volta de uma fronteira física entre a República da Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) depois do Brexit.

"O objetivo do Reino Unido é encontrar uma maneira de garantir que não podemos, e não ficaremos, presos no backstop", dirá a seus interlocutores, segundo informações obtidas do governo britânico. A primeira-ministra quer mostrar que estará aberta a diferentes formas de conseguir isso, mas está ciente de que qualquer mudança exigirá alterações no Acordo de Retirada, já firmado.

May aprentará em Bruxelas "arranjos alternativos" ao backstop. Essas mudanças propostas levarão em contas alterações legais que fornecerão as garantias que todos os lados disseram que precisam. Ela falará também que seu governo agora quer urgentemente trabalhar com a UE para garantir essas mudanças. 

A avaliação, no entanto, é a de que assegurar tais mudanças "não será fácil". Até porque, segundo o governo, o acordo acertado foi o resultado de "muito trabalho árduo" e "boa-fé". A premiê argumentará que, apesar disso, o Parlamento britânico, por maioria significativa, enviou uma mensagem "inequívoca" de que a mudança é necessária.

Ela também insistirá que o Parlamento deixou claro pela primeira vez na semana passada que poderia apoiar o Acordo de Retirada se houver alterações na questão do backstop. E acrescentará que os parlamentares também reiteraram seu compromisso de evitar uma fronteira física entre as Irlandas e o desejo de deixar a UE com um acordo.

A premiê sabe que sua estratégia é frágil, principalmente em razão das mensagens enviadas nesta quarta-feira pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, de que o bloco comum não fará nova oferta para o Reino Unido com o intuito de quebrar o impasse em torno da aprovação no Parlamento britânico do consenso fechado entre as partes. "Deixamos bem claro que nossa posição em torno do acordo do Brexit não está aberta a negociação", afirmou.

Além de Tusk, a primeira-ministra também se encontrará com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Para Downing Street, as reuniões desta quinta-feira fazem parte de um processo que leva o governo a trazer de volta o Voto Significativo do Parlamento "o mais rápido possível".

A premiê alegará também que, embora o Partido Trabalhista, de oposição, não tenha insistido na emenda Brady, seu líder, Jeremy Corbyn, disse que também está preocupado com o backstop. Para o governo britânico, portanto, essa é uma questão "que precisa ser resolvida" -- não apenas para os parlamentares conservadores e o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, mas para os parlamentares em toda a Câmara.

 

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