Mbeki renuncia e nega envolvimento em processo contra rival

Pressionado, chefe de Estado sul-africano deixa o cargo; renúncia será efetiva assim que novo líder for indicado

Agências internacionais,

21 de setembro de 2008 | 16h16

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, anunciou oficialmente sua renúncia neste domingo, 21, e negou ter promovido o julgamento por corrupção do ex- vice-presidente Jacob Zuma. Em mensagem transmitida na televisão estatal, Mbeki afirmou: "Nunca interferi nas decisões da Procuradoria Geral da África do Sul e, certamente, também não o fiz em relação às acusações de corrupção contra Jacob Zuma."   Veja também: Congresso Nacional Africano pede a renúncia de Thabo Mbeki   O partido de Mbeki, o Congresso Nacional Africano (CNA), pediu no sábado que o presidente renunciasse, para dar estabilidade à legenda "e curar as feridas" causadas pelas divisões internas surgidas quando o presidente destituiu, em 2005, o então vice-presidente, Jacob Zuma, acusado de corrupção.   "Sou um membro do CNA e por isso respeito suas decisões", declarou Mbeki, que agradeceu a todos os sul-africanos por terem lhe permitido servir à nação durante nove anos. Segundo a BBC, ele disse que já havia entregado sua carta de renúncia ao líder da Assembléia Nacional, mas afirmou que não vai deixar o cargo até que um novo presidente seja escolhido.   O governo convocou uma reunião emergencial para este domingo para limitar o impacto político e econômico da iminente queda de Mbeki. Ele falou à televisão logo após o fim do encontro de gabinete.   O presidente sul-africano perdeu a batalha final ontem depois de uma longa disputa com Zuma e concordou com a determinação do comitê executivo do ANC em pedir demissão do cargo antes do final de seu segundo mandato. O secretário-geral do Congresso Nacional Africano, Gwede Mantashe, disse que a decisão de sugerir que Mbeki deixasse a Presidência prematuramente foi tomada "para preservar a estabilidade, a paz e a prosperidade na África do Sul."   Não está claro ainda quantos ministros vão renunciar em solidariedade a Mbeki. O de Finanças, Trevor Manuel, considerado chave para a confiança do investidor no país, deverá ficar. O Parlamento deverá se reunir nos próximos dias para escolher um presidente interino antes das eleições, marcadas para o ano que vem. O mais cotado para assumir essa função é a porta-voz da Assembléia Nacional, Baleka Mbete.   Mbeki ficou sob pressão de seu partido para renunciar depois de uma decisão judicial na semana passada de que pode ter algum envolvimento em acusações de corrupção contra Zuma, o que o chefe de Estado nega.   O chefe de Estado demitiu Zuma do cargo de vice-presidente em 2005, depois de o consultor financeiro de Zuma ter sido condenado por tentar levantar propina para pôr fim a investigações sobre um acordo de armas. As acusações iniciais contra Zuma foram retiradas, mas a promotoria do país disse que há evidências suficientes para que novas acusações sejam levantadas.

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