McCain compara Obama a Carter

Republicano diz que vitória de rival significaria segundo mandato de ex-presidente democrata

Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

Depois de ser exaustivamente comparado a George W. Bush, o senador John McCain, candidato republicano à Casa Branca, deu o troco e disse que uma presidência do democrata Barack Obama significaria um segundo mandato de Jimmy Carter. "Se ele diz que eu serei o terceiro mandato de Bush, ele será o segundo de Carter", afirmou o candidato republicano.Carter, que governou os EUA de 1977 a 1981, é considerado por muitos americanos um dos piores presidentes da história do país. Apesar de ter incentivado os direitos humanos, principalmente entre os regimes militares latino-americanas, seu governo terminou com a percepção geral de declínio dos EUA causada pela Revolução Iraniana, pelo segundo choque do petróleo e pela invasão soviética do Afeganistão. Ontem, McCain detalhou seu plano econômico num discurso em Washington. O republicano prometeu manter a isenção de impostos para os mais ricos - uma bandeira do presidente Bush - e afirmou que reduzirá tributos para empresas e trabalhadores de classe média. O candidato propôs ainda um sistema tributário simplificado e acusou Obama de planejar o "maior aumento de impostos desde a 2ª Guerra" nos EUA. "Não importa quem vencerá em novembro, haverá uma mudança em Washington. O que está em questão é o tipo dessa mudança", disse McCain. "Uma que retome as políticas fracassadas dos anos 60 ou uma voltada para o futuro."Segundo McCain, os EUA têm a segunda maior carga tributária do mundo para empresas e é necessário fazer uma redução para manter a competitividade e evitar a perda de postos de trabalho.PROTESTOSAssim que começou seu discurso de ontem, num hotel de luxo da capital americana, McCain foi interrompido por uma militante pacifista que gritou palavras de ordem contra a guerra no Iraque."Os americanos estão cansados desse tipo de manifestação", reagiu o republicano. Tão logo retomou o discurso, porém, McCain voltou a ser interrompido. "Lá vamos nós de novo", brincou o candidato republicano, repetindo uma frase usada pelo ex-presidente Ronald Reagan para retomar a atenção da platéia em situações como essa.Os ativistas, no entanto, não estavam dispostos a deixá-lo em paz e o interromperam pela terceira vez. Visivelmente constrangido, McCain levou a mão ao rosto. "Meu estoque de piadas está acabando", disse sem perder a calma.RECORDEVários financiadores democratas afirmaram ontem que Obama pode bater seu recorde de arrecadação em junho. Segundo eles, o democrata deve arrecadar US$ 100 milhões e atrair até 3 milhões de novos doadores. Três fatores estariam ajudando Obama: sua vitória nas primárias, a contribuição dos partidários de Hillary Clinton e a mobilização dos grandes doadores do partido, que ainda não contribuíram com o que deveriam.

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