McCain corre risco de derrota até no Arizona

Pesquisa mostra o republicano apenas 2 pontos à frente no Estado que ele representa há 26 anos no Senado

AP, LAT, WP E THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

O republicano John McCain corre o risco de sofrer uma vergonhosa derrota no Arizona, Estado que ele representa no Senado há 26 anos. Segundo uma pesquisa divulgada pela Universidade do Estado do Arizona, a diferença entre McCain e o democrata Barack Obama é de apenas 2 pontos porcentuais (46% a 44%). Há um mês, o republicano tinha uma vantagem de 7 pontos e, no começo do ano, McCain chegou a liderar por mais de 20 pontos.Apenas três presidentes na história dos EUA conseguiram vencer a eleição sem ganhar em seu Estado natal. Esse tipo de perda tornou-se uma dura perspectiva após a eleição de 2000, quando o democrata Al Gore perdeu no Tennessee, onde morava. A liderança de Obama em Illinois, por exemplo, é de 25 pontos porcentuais, segundo pesquisas recentes. Os republicanos, porém, tentaram diminuir a importância dos números, afirmando que confiam na vitória de McCain. "Ele nunca perdeu uma eleição no Arizona e essa não será diferente, apesar das tentativas de Obama de comprar a votação com milhões de dólares em propaganda", afirmou Jeff Sadosky, porta-voz do republicano.O resultado da pesquisa no Arizona, que também dá a Obama uma vantagem de 20% entre os eleitores independentes do Estado, se somam a outros dados que colocam o democrata na liderança em Estados importantes para a eleição.Um levantamento feito pelo jornal Los Angeles Times aponta Obama liderando em Ohio (49% a 40%) e na Flórida (50% a 43%). A principal razão pela qual ele está na frente é a percepção dos eleitores de que ele saberá lidar melhor com a crise econômica.Os dois Estados são considerados fundamentais para a vitória e foram cruciais para o resultado das duas últimas eleições. Em 2000, foi a Flórida que decidiu a vitória do republicano George W. Bush após uma polêmica disputa com o democrata Al Gore. Há quatro anos, foi a vez de Ohio decidir a reeleição do presidente sobre o adversário, John Kerry, com uma margem apertada (51% a 49%).Uma pesquisa da Associated Press/GfK, divulgada ontem, também apontou vantagem de Obama em oito Estados importantes: Colorado, Flórida, Nevada, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e Virgínia.DECISÃO NACIONALOntem, a equipe de campanha de McCain questionou a metodologia utilizada na elaboração das pesquisas e seus resultados. Para os republicanos, a votação deste ano pode repetir a famosa eleição de 1948, quando Harry Truman venceu apesar de as pesquisas terem indicado uma vitória de Thomas Dewey.Os números destas pesquisas são de intenção de voto e não representam, necessariamente, o resultado final da eleição. Nos EUA, quem decide a votação é o Colégio Eleitoral e não o voto direto. O colégio é formado por 538 representantes dos 50 Estados e da capital do país, Washington. Para ser eleito, o candidato precisa ter 270 votos. Dessa forma, é possível que um candidato vença a eleição no Colégio Eleitoral, mas perca a apuração nacional.PLATAFORMASPOLÍTICA FISCALDEMOCRATASCorte de impostos: O democrata Barack Obama afirma que ampliará os cortes de impostos de Bush, mas apenas para pessoas que ganham menos de US$ 250 mil ao ano - e promete acabar com a atual redução para os dois patamares de ganhos mais altos mesmo antes do prazo, que seria daqui a dois anos. Também promete criar novas reduções de taxas para poupanças, custos com educação, novos fazendeiros e para donos de casa que não tenham deduções. Para compensar a diminuição da arrecadação, Obama pretende aumentar os impostos sobre ganhos de capital e dividendos.Gastos do governo: Para Obama, o principal item de gastos governamentais será com seu programa de saúde com cobertura universal: mais de US$ 100 bilhões por ano. Ele também promete aumentar as despesas com educação, infra-estrutura, pesquisa, ajuda internacional e Exército. REPUBLICANOSRedução de impostos: O republicano John McCain afirma que vai continuar a política de Bush de 2001 e 2003 de corte de impostos. Ele propõe reduzir de 35% para 25% a taxação sobre salários corporativos, acabar com a taxa alternativa mínima e dobrar a dedução máxima por dependentes no imposto de renda. Também promete dar crédito fiscal de até US$ 5 mil por família para a aquisição de seguros de saúde.Gastos do governo: O candidato propõe congelar os gastos domésticos no primeiro ano de mandato e, a partir de então, cortar cerca de US$ 100 bilhões por ano em áreas não especificadas para equilibrar o orçamento até 2013. McCain afirma que a prioridade de gastos no seu governo será melhorar e ampliar o Exército. Ele promete também aumentar investimentos em educação e programas de energia.PESQUISAS46% dos eleitores no Arizona dizem que votarão no republicano John McCain44% dos eleitores no Arizona admitem preferir o democrata Barack Obama9 pontos é a vantagem de Obama em Ohio (49% a 40%)7 pontos é a vantagem do democrata na Flórida (50% a 43%)

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