McCain critica Obama por querer conversar com Irã

Republicano ridiculariza promessa do candidato democrata de encontrar-se com líder iraquiano caso seja eleito

Reuters,

19 de maio de 2008 | 15h12

O candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, John McCain, acusou nesta segunda-feira, 19, o democrata Barack Obama, favorito para conquistar a vaga democrata na disputa nacional, de subestimar a ameaça representada pelo Irã e ridicularizou a promessa de Obama de encontrar-se com o líder iraniano caso seja eleito.  Veja também:Em campanha, Obama ataca McCainHuckabee quer ser vice na chapa de McCain Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  McCain, abordando um assunto que promete ter peso no pleito de novembro, tentou retratar Obama como um político inexperiente demais para comandar o governo norte-americano. O republicano, senador pelo Estado do Arizona, viajou até Chicago para discursar na Associação Nacional dos Restaurantes. No início de seu discurso, McCain criticou Obama, afirmando que o democrata, senador pelo Estado de Illinois, havia dito que o Irã representava uma ameaça muito menor do que a União Soviética na época da Guerra Fria.  O candidato republicano disse que o Irã obviamente não é uma superpotência e não dispõe do poderio militar da ex-União Soviética, mas "isso não significa que a ameaça representada pelo Irã seja insignificante". McCain acusou o país islâmico de tentar adquirir armas nucleares - algo que o Irã nega - e afirmou que os iranianos fornecem alguns dos explosivos mais mortais usados no Iraque para matar soldados norte-americanos, que alimenta conflitos no Oriente Médio e que gostaria de destruir Israel. "Se o Irã adquirir armas nucleares, esse perigo se tornaria realmente medonho. Eles podem não ser uma superpotência, mas a ameaça representada pelo Irã não tem nada de pequena", disse. McCain afirmou ainda que os planos de Obama de realizar negociações diretas com dirigentes de países considerados hostis, como é o caso do Irã, "revelam a profundeza da inexperiência e da falta de bom senso do senador Obama."  Segundo o republicano, um encontro do tipo daria ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, prestígio e legitimidade internacional.  "Isso poderia convencê-lo de que suas políticas vêm surtindo efeito ao garantir sua manutenção no poder. E isso o encorajaria a continuar adotando um comportamento muito arriscado. O próximo presidente tem de compreender essas questões básicas das relações internacionais," afirmou. Obama diz que o presidente dos EUA, George W. Bush, membro do Partido Republicano, errou ao não negociar diretamente com líderes de países como o Irã e a Coréia do Norte. Quando McCain concluiu a parte de seu discurso que tratava do Irã, três manifestantes contrários à guerra no Iraque levantaram-se na platéia e gritaram: "McCain está na cozinha com George Bush."  Os três usavam aventais rosas nos quais se lia a frase: "Não comprem a guerra de Bush." Pouco depois de sua intervenção, os manifestantes foram retirados.  

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