McCain defende laços mais estreitos entre EUA e América Latina

O candidato do Partido Republicanoà Presidência dos Estados Unidos, John McCain, defendeu naquarta-feira uma diplomacia mais vigorosa e a realização denovos esforços para melhorar as relações com os aliados dopaís, atualmente abaladas. Segundo McCain, é preciso ainda "respeito mútuo" e umaintegração maior entre os EUA e os países latino-americanos. "AAmérica Latina hoje é cada vez mais vital para o bem-estar dosEstados Unidos", disse ele em discurso sobre política externaem Los Angeles. "Nossas relações com nossos vizinhos do Sul devem sergovernadas por respeito mútuo, não por impulsos imperiais oupor demagogia antiamericana", completou. Sem mencionar diretamente Cuba e Venezuela, os principaiscríticos de Washington na região, McCain defendeu para ocontinente um futuro dominado por democracias e olivre-comércio. Ele disse que a relação hemisférica poderia ser um exemplode relações entre o "Norte" e o "Sul" no século 21, em discursono qual mencionou o Brasil como uma das potências democráticasdo mundo atual, ao lado de Índia, Austrália, Coréia do Sul eoutras. Distanciando-se da postura diplomática algumas vezesunilateral adotada pelo atual presidente do país, George W.Bush, McCain disse que os EUA precisam assumir suasresponsabilidades de líder mundial e se tornarem "cidadãomodelo" da comunidade global. "Os EUA não podem liderar por meio apenas de sua força",afirmou o senador pelo Estado do Arizona, que acaba de voltarde uma viagem durante a qual visitou o Oriente Médio (Iraqueinclusive) e a Europa. As declarações foram dadas durante um pronunciamentorealizado no Conselho de Assuntos Mundiais, na Califórnia. "Nossa força imensa não significa que podemos fazerqualquer coisa que desejamos quando bem desejamos, e nem quedeveríamos pressupor termos todos os conhecimentos e opiniõesnecessários para vencer. Nós temos de ouvir as opiniões denossos aliados democráticos e respeitar o desejo coletivodeles", afirmou. McCain, criticado pelos democratas por manter-se próximodemais das políticas de Bush, membro também do PartidoRepublicano, reconheceu que os EUA, após cinco anos de guerrano Iraque, possuem hoje uma imagem manchada na comunidadeinternacional. "Exercer uma liderança no mundo de hoje significa aceitar ecumprir nossas responsabilidades na condição de uma grandenação. Uma dessas responsabilidades diz respeito a ser umaliado eficiente e confiável para as democracias irmãs", disse. McCain repetiu sua oposição à tortura e disse que os EUAdeveriam fechar a prisão militar da base de Guantánamo (na Ilhade Cuba), onde mantêm encarcerados acusados de terrorismo. "Os EUA precisam ser cidadão modelo se desejam que osoutros nos olhem como um modelo", afirmou. "A forma como agimosinternamente reflete-se na forma como somos vistos no exterior.Não podemos torturar ou tratar de forma desumana os acusados deterrorismo que capturamos." O governo Bush nega torturar seus prisioneiros, mas admitiuter lançado mão de uma técnica de interrogatório que simulaafogamento e que é considerada um tipo de tortura. McCain já conquistou na prática a vaga republicana paraparticipar das eleições de novembro, quando enfrentará ovencedor das prévias realizadas pelo Partido Democrata e nasquais se enfrentam Hillary Clinton e Barack Obama.

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