McCain distancia-se lenta, mas insistentemente, de Bush

Lenta, mas insistentemente, ocandidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain,distancia-se do impopular presidente do país, George W. Bush,seu companheiro de legenda. Nesta semana, coube ao candidato referir-se à malfadadafaixa "Missão Cumprida" que a Casa Branca dependurou atrás deBush cinco anos atrás quando o presidente declarou o fim dasgrandes operações de combate no Iraque. "Naquela época, eu acreditei que aquilo não havia sidocorreto", disse McCain em Cleveland, na quinta-feira, antes decriticar os vários comentários do vice-presidente Dick Cheney,surgidos ao longo dos anos, sobre a insurgência iraquiana estarem seus "últimos suspiros". O candidato, na semana passada, surpreendeu alguns membrosda Casa Branca ao declarar que Bush desempenhou um papel"desastroso" em meio à crise provocada pelo furacão Katrina, em2005, em Nova Orleans. "Nunca mais", afirmou McCain sobre isso. Essa é uma estratégia nascida da necessidade, já que ocandidato precisa derrotar as estatísticas a fim de conquistarum terceiro mandato consecutivo para seu partido à frente daCasa Branca, feito realizado apenas uma única vez nos últimos50 anos de história norte-americana. Especialistas em questões políticas dizem que McCaindistanciou-se em parte de Bush, cujos índices de aprovaçãoficaram em 27 por cento em uma pesquisa recente do Wall StreetJournal/NBC News. A mesma enquete descobriu que 43 por centodos norte-americanos "temiam bastante" que McCain seguiria emparte a agenda do atual dirigente. "A matemática sugere que John McCain precisa dos votos devárias das pessoas que desaprovam a Presidência de George W.Bush neste momento", afirmou o republicano Whit Ayres, umespecialista em pesquisas. Além do Katrina e da guerra no Iraque, McCain tentadesvencilhar-se do atual dirigente quanto à questão doaquecimento da Terra, declarando seu apoio a medidas criticadaspor Bush. A respeito da forma como o atual governo trata as pessoasacusadas de terrorismo, o candidato republicano falouabertamente contra as técnicas de interrogatório consideradasatos de tortura. E McCain costuma atacar os gastos "semcontrole" do governo, que aumentaram sob a liderança de Bush. O candidato, porém, concorda com o atual governo em váriospontos relevantes, tais como a extensão e ampliação dosabatimentos fiscais aprovados por Bush no Congresso durante seuprimeiro mandato. E McCain defende a atual estratégia adotadano Iraque. Os democratas esforçam-se para associar o lídernorte-americano a McCain, realizando declarações diárias sobreo candidato republicano tentar conquistar um terceiro mandatoBush e citando frequentemente o Iraque. "Cinco anos depois de George Bush ter declarado 'missãocumprida' e de John McCain ter dito ao povo norte-americano que'o fim está à vista' no Iraque, perdemos milhares de vidas,gastamos meio trilhão de dólares e não estamos mais seguros", afirmou Barack Obama, pré-candidato democrata à Presidência dosEUA. Andy Smith, professor de ciências políticas na Universidadede New Hampshire, disse que os problemas de McCain não vãodesaparecer de uma hora para outra e isso em particular se orecente aumento no número de soldados norte-americanosestacionados no Iraque for considerado um fracasso. Se isso ocorrer, "não importa o quão intensamente procuredistanciar-se de Bush, McCain continuará sendo sugado devolta", afirmou Smith. (Reportagem adicional de John Whitesides)

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