McCain diverge de Bush, mas aceita ajuda para eleição

O candidato republicanoà Casa Branca, John McCain, distanciou-se na terça-feira aindamais do presidente George W. Bush na questão da políticaexterna, mas aceitou o apoio dele na arrecadação de doaçõespara a campanha. Em discurso, o senador disse que vai negociar uma políticade redução de armas com China e Rússia, como parte de "uminternacionalismo de mente aberta e uma diplomaciadeterminada". "É uma visão não dos Estados Unidos agindo sozinho, masconstruindo e participando de uma comunidade de nações todasunidas neste propósito vital comum. É uma visão de uma Américaresponsável, dedicada a uma paz duradoura baseada naliberdade", disse McCain. Críticos dizem que Bush prejudicou a imagem dos EUA nomundo por agir de forma unilateral na guerra do Iraque e emoutras questões. Com esse discurso, McCain reforça sua tendência de seafastar de Bush na busca pelo eleitorado independente.Analistas dizem que isso será essencial diante da baixapopularidade do presidente. Ao mesmo tempo, o candidato precisa se aproveitar dasignificativa força de Bush junto a grandes doadores, aindamais porque nesse quesito o republicano está muito atrás dofavorito para ser o escolhido democrata, Barack Obama, quearrecadou milhões de dólares junto a pequenos doadores. Bush começa na terça e quarta-feira a passar a sacola paraMcCain, em três eventos no Arizona e Utah. Mas só em umaocasião os dois vão se encontrar, e mesmo assim longe da visãodo público. Fazendo campanha em Nevada, Obama não perdeu a chance decitar que McCain "está fazendo um evento de arrecadação comGeorge Bush a portas fechadas no Arizona. Sem câmeras. Semjornalistas. E todos sabemos por quê. O senador McCain não querser visto, de chapéu na mão, com um presidente cujas políticasfracassadas ele promete continuar por mais quatro anos," disseObama. Na Universidade de Denver, McCain, de 71 anos, enfrentoualguns manifestantes que interromperam seu discurso algumasvezes com refrões como "Acabe com esta guerra" e "E o Iraque?". McCain reiterou seu apoio à atual estratégia e suaresistência a uma retirada prematura. "A propósito, nunca voume render no Iraque. Nossas tropas norte-americanas vão voltarpara casa com vitória e honra", afirmou. Deixando de lado críticas que já fez a Rússia e China, eleprometeu trabalhar com esses dois países para reduzir osarsenais nucleares. "A Guerra Fria acabou há quase 20 anos, e chegou a hora detomar novas medidas para reduzir dramaticamente o número dearmas nucleares nos arsenais do mundo," declarou, prometendoreduzir o arsenal dos EUA "ao menor número possível consistentecom nossas exigências de segurança e nossos compromissosglobais."

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