McCain diz que Brasil é exemplo na área energética

Senador volta a criticar subsídios ao etanol dos EUA e tarifas de importação para o produto brasileiro

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

O senador John McCain, candidato republicano à Casa Branca, afirmou ontem que os EUA deveriam seguir o exemplo do Brasil, que expandiu sua frota de carros com motor bicombustível, e aproveitou para atacar o apoio do democrata Barack Obama às barreiras contra o álcool brasileiro. "Em três anos, o Brasil passou de 5% de carros com motor flex em sua frota para 70%", disse McCain. "Só que as mesmas montadoras que ajudaram o Brasil a fazer essa mudança dizem que demoraria muito mais para para transformar a metade de nossos novos veículos em carros flex." McCain voltou a criticar os subsídios ao álcool americano feito de milho e as barreiras contra o produto brasileiro, feito de cana-de-açúcar. "Nosso governo paga para subsidiar o etanol de milho e, ao mesmo tempo, cobra tarifas que impedem os consumidores de se beneficiar de outros tipos de etanol, como o do Brasil" , disse. "O resultado é que o americano paga a conta duas vezes. Arcamos com os subsídios e, como consumidores, pagamos mais na bomba porque colocamos barreiras sobre produtos mais baratos do exterior."A crítica tinha endereço certo: a campanha de Obama, que defende os subsídios e a tarifa sobre o combustível brasileiro. Obama é senador pelo Estado de Illinois, segundo maior produtor de milho dos EUA. Em entrevista ao Estado, semana passada, McCain já havia criticado os subsídios ao etanol de milho. "É errado impor uma tarifa de US$ 0,54 por galão de álcool brasileiro, que é claramente mais eficiente do que o nosso." Com o barril de petróleo próximo dos US$ 140, a energia tornou-se tema central da eleição. Ontem, McCain propôs um prêmio de US$ 300 milhões para quem desenvolver uma nova bateria mais eficiente e barata para carros híbridos ou elétricos. Ele também afirmou que dará incentivos para montadoras que produzirem carros que emitam menos poluentes. Obama promete fechar o cerco contra especuladores do mercado de commodities, uma das razões para a escalada do preço do petróleo. Ele quer aumentar a regulamentação da compra e venda de títulos futuros de petróleo, com a ajuda de outros países - proposta semelhante à que será defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do G-8, em julho, no Japão. Lula propõe uma ação coordenada dos governos para conter a especulação no mercado futuro de alimentos, metais e petróleo.

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