McCain diz que não será derrotado por causa da crise

O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, desmentiu hoje a idéia de que ele não poderá vencer as eleições se a crise econômica permanecer a principal preocupação do eleitorado. Enquanto isso, o candidato democrata, Barack Obama, fez campanha no Estado da Flórida e tentou capitalizar mais votos com a crise, ampliando os ataques à atual administração republicana, de George W. Bush. A ansiedade com a crise financeira norte-americana está consumindo os eleitores na etapa final da campanha. Os eleitores assistem à perda de empregos, às execuções de hipotecas não pagas e ao derretimento do dinheiro poupado para as aposentadorias no mercado financeiro. As pesquisas de opinião mostram que o eleitorado vê Obama como mais confiável para controlar a crise financeira.O democrata divulgou seu plano para a economia na Flórida e espera fortalecer a liderança em um Estado que é visto como crítico para conquistar a Casa Branca. Porém, Obama deixará a campanha por dois dias, na quinta e na sexta-feira, para visitar sua avó, que está seriamente doente no Havaí. Obama terá ainda hoje, na Flórida, reunião com governadores democratas sobre a crise.McCain participou hoje de um programa da emissora CBS e mostrou indignação quando questionado sobre o comentário de um conselheiro de campanha, de que a economia é um tema no qual os republicanos já foram derrotados. O candidato republicano afirmou que os norte-americanos precisam escutar sua mensagem e seus projetos para evitar que a economia mergulhe em uma longa e profunda recessão. "Me escutem. Eu sou candidato e essa campanha é sobre a economia."A campanha de McCain tem escolhido questionar o caráter de Obama em comícios, tentando ligar o democrata ao ex-radical de esquerda William Ayers. Além disso, a tática é questionar a experiência do candidato democrata. Na Flórida, Obama disse que a resposta de McCain à cambaleante situação da economia dos EUA não oferece o suficiente aos norte-americanos preocupados sobre como manterão seus empregos, suas casas e estilo de vida. George W. BushObama continuou a ligar McCain ao impopular presidente Bush e acusou os dois de socorrerem apenas ao sistema financeiro, enquanto ignoram os cidadãos comuns. "Enquanto o presidente Bush e o senador McCain estavam prontos a mover os céus e a terra para enfrentar a crise em Wall Street, o presidente fracassou até agora em enfrentar a crise que atinge a ''Main street'' e o senador McCain se recusa a reconhecer isso", disse Obama, fazendo referência a economia real, não financeira, feita de fábricas, comércio e serviços.A campanha de McCain respondeu que o plano de Obama de estímulo à economia, que prevê o reforço dos orçamentos dos governos estaduais e municipais, além de mais recursos para o sistema de saúde, é equivocado e não dará destinação certa ao dinheiro para combater a crise. "Enquanto os americanos sofrem, Barack Obama planeja tirar mais dinheiro dos contribuintes. Destinar esse dinheiro para orçamentos mal administrados não é a solução, é o problema", disse Tucker Bounds, porta-voz de McCain.ExperiênciaMcCain também voltou a questionar a experiência de Obama e usou uma frase do candidato a vice na chapa democrata, o senador Joe Biden, que afirmou, durante um evento para arrecadação de verbas de campanha no final de semana passada, sobre seu colega de chapa: "Vejam, nós teremos uma crise internacional, uma crise gerada, para testar o ânimo desse cara". Biden criticava a política externa de Bush.McCain afirmou hoje a eleitores na Pensilvânia, outro Estado crucial na disputa, que ele já foi testado em crises semelhantes. "A América não terá um presidente que precisa ser testado. Eu já fui testado, meus amigos", disse a uma multidão em Harrisburg.

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