McCain e Obama trocam ataques por falta de acordo sobre debates

Os candidatospresidenciais norte-americanos Barack Obama e John McCain nãochegaram a um acordo para realizar debates com a participaçãode eleitores e se culparam mutuamente por isso. O convite para os debates partiu das bibliotecaspresidenciais Lyndon Johnson e Ronald Reagan --cada umarealizaria um evento. McCain aceitou imediatamente e acusou o comitê de Obama deter rejeitado sua oferta, feita há duas semanas, de realizardez debates semanais durante o verão norte-americano. Por email, Rick Davis, diretor da campanha de McCain, disseque Obama ofereceu apenas um debate, antes da convençãopartidária que o sagrará como candidato democrata, no fim deagosto. "Espero que o senador Obama reconsidere sua posição",afirmou. David Plouffe, chefe de estratégia da campanha de Obama,respondeu que o senador se prontificou a debater em cincoocasiões até o dia da eleição (4 de novembro). Seriam os trêsdebates tradicionais entre os candidatos, mais dois debates coma participação de eleitores --sobre economia (em julho) erelações exteriores (agosto). "Esse pacote de cinco encontros seria o máximo em qualquercampanha presidencial na era moderna --numa ampla gama deformatos-- e representando um compromisso histórico de aberturae transparência", disse Plouffe. Por seu caráter mais informal, McCain se sente maisconfortável nos debates em que as perguntas partem não dejornalistas, mas de eleitores comuns (os chamados "town hallmeetings", ou "reuniões na prefeitura"). Durante a campanha das eleições primárias, em que não teveum bom começo, McCain começou uma recuperação depois derealizar cem "town hall meetings" em New Hampshire. Obama lidera as pesquisas, e por isso não tem interesse emse ver repetidamente acuado pelo adversário. PREVIDÊNCIA Os candidatos manifestaram na sexta-feira posiçõesdivergentes também a respeito de como resolver o déficit daprevidência norte-americana. Em visita ao estratégico Estado de Ohio, Obama propôsaumentar a arrecadação elevando o teto do imposto salários (quehoje é cobrado apenas até 102 mil dólares por ano). Obama argumentou que até bilionários como Warren Buffetpagam imposto apenas sobre 102 mil dólares anuais. O senadordisse que vai isentar do aumento quem ganha até 250 mildólares. "Por isso acho que a melhor forma de avançar é ajustar oteto do imposto sobre salários de modo que pessoas como eupaguem um pouco mais e pessoas necessitadas sejam protegidas",disse Obama a aposentados numa casa de repouso em Columbus. A campanha de McCain diz que o plano de Obama acabariaprejudicando 10 milhões de aposentados que dependem dedividendos de suas poupanças para sobreviverem. "Barack Obama gosta de achar que seus aumentos tributáriossó vão afetar uns poucos norte-americanos, mas na verdade seuplano econômico será um desastre para todos, especialmente paraos idosos", disse Tucker Bonds, porta-voz de McCain. No evento em Ohio, Obama foi apresentado por sua esposa,Michelle, o que valeu uma piada do candidato: "Gosto de ouviros elogios dela para mim, porque quando eu chegar em casa elavai me chamar a atenção por não ter arrumado a cama". (Reportagem adicional de Jeff Mason)

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