McCain e Obama trocam farpas por desocupação do Iraque

O republicano John McCaine o democrata Barack Obama travaram na quarta-feira umapossível prévia da eleição presidencial de novembro, discutindose o Iraque se tornaria uma presa da Al Qaeda caso os EUAretirem suas tropas. Enquanto isso, a pré-candidata Hillary Clinton, que dependede vitórias expressivas na terça-feira no Texas e em Ohio parasalvar sua campanha, declarou-se animada depois do debate finalcontra Obama na noite de terça-feira em Cleveland (Ohio). "O que me mantém otimista é o sucesso que tivemos até agorae as perspectivas que julgo haver para terça-feira. As pessoastêm simplesmente se juntado em torno da minha candidatura",disse ela no avião que a levou para um evento em Zanesville,Ohio. Mas ela recebeu um novo golpe: o deputado John Lewis, líderdo movimento norte-americano pelos direitos civis, retirou oapoio a Hillary e anunciou que votará em Obama na convenção deagosto. "Algo está acontecendo na América", disse ele em nota. "Aspessoas estão pressionando por um novo dia na políticaamericana, e acho que elas vêem o senador Barack Obama como umsímbolo dessa mudança." Os senadores McCain e Obama já se tratam como virtuaiscandidatos, ignorando Hillary, e voltaram a discutir a respeitodo Iraque, cuja ocupação por forças dos EUA completa cinco anosem março. O impopular conflito é um dos principais temas da campanha.Os democratas defendem uma rápida retirada das tropas, o quesegundo McCain seria uma forma de rendição e representaria umavitória para os extremistas islâmicos. McCain, cuja candidatura depende de bons resultadosmilitares no Iraque, lançou ataques a Obama durante um encontrocom eleitores no Texas, onde pretende selar sua candidaturapelo partido governista. Durante o debate de terça-feira contra Hillary, Obamaadmitiu que a Al Qaeda poderia se estabelecer no Iraque casoseu eventual governo retire as tropas. "Aí vamos agir de formaa garantir a pátria norte-americana e nossos interesses noexterior", declarou o senador. "NOTÍCIAS" MÚTUAS "Tenho algumas notícias", disse McCain. "A Al Qaeda está noIraque. Chama-se Al Qaeda no Iraque. Meus amigos, se sairmos,eles não vão estabelecer uma base, vão tomar um país, e não voupermitir que isso aconteça." Mas a posição de McCain foi de certa forma afetada por umdepoimento na quarta-feira do diretor de Inteligência Nacionaldos EUA, Michael McConnell, ao Senado. Ele disse que a Al Qaedasofreu duros reveses no ano passado no Iraque e teve centenasde membros mortos ou capturados, embora ainda seja "capaz derealizar ataques letais". Obama reagiu a McCain durante comício em Columbus, Ohio,onde disse que seu adversário se juntou ao presidente George W.Bush no apoio a uma guerra "que nunca deveria ter sidoautorizada e nunca deveria ter sido travada". "Tenho algumas notícias para John McCain, e são de que nãohavia a tal Al Qaeda no Iraque até que George Bush e JohnMcCain decidissem invadir o Iraque", afirmou, sob aplausos. Ele ironizou a insistência de McCain em dizer que vaicapturar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, mesmo que tenhade segui-lo até "os portões do inferno". "Até agora, tudo o queele fez foi seguir George Bush numa desorientada guerra noIraque", disse. Na reta final da campanha em Ohio, Hillary preferepriorizar temas econômicos, já que o Estado perdeu 23 por centode seus empregos industriais desde 2000 e foi bastante afetadopela crise hipotecária de 2007, quando o número dedesapropriações de imóveis por inadimplência subiu 88 porcento. "A economia é a questão número 1 no país, e éinacreditavelmente importante aqui em Ohio", disse ela."Estamos escorregando para uma recessão, e o preço de tudo aomesmo tempo está subindo." (Reportagem adicional de Jeff Mason e John Whitesides emOhio)

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