McCain e Obama trocam farpas sobre crise em Wall Street

O candidato republicanoJohn McCain propôs na sexta-feira regras mais rígidas para osetor financeiro e criticou seu rival democrata, Barack Obama,por não propor um plano claro contra a crise. Obama, novamente à frente nas pesquisas, disse que não vaidivulgar propostas específicas por enquanto, para que o Fed e oDepartamento do Tesouro continuem seu trabalho "desimpedidosdas brigas partidárias". O democrata se reuniu na Flórida com vários economistasimportantes, alguns deles integrantes do governo de BillClinton na década de 1990. Em um comício em Blaine, Minnesota, McCain disse: "Hoje demanhã eu apresentei o meu plano para resolver os problemas e[fazer] nossa economia crescer. Mais ou menos na mesma hora osenador Obama disse que não vai oferecer um plano". Obama manifestou apoio ao pacote de resgate de instituiçõesfinanceiras pelo Fed e o Tesouro, e cobrou do governo medidasde apoio também a famílias trabalhadoras prejudicadas pelopreço da gasolina e dos alimentos. O democrata disse a jornalistas que não apresentará umplano imediatamente porque isso precisa ser feito "de maneirainteligente, sistemática e refletida". "Estou muito menos interessado a esta altura em marcarpontos políticos do que em realmente garantir que tenhamos umaestrutura sólida e que realmente funcione", disse. Nesta semana, os democratas ironizaram McCain por declararque os EUA têm fundamentos econômicos sólidos, enquantopoderosas instituições financeiras estavam à beira da falência. Obama disse que seu rival "agora está um pouco em pânico" e"parece disposto a dizer ou fazer qualquer coisa." Em discurso em Green Bay, Wisconsin, McCain disse que seuplano restaura a confiança da população no sistema financeiro,depois que "uma indesculpável falta de transparência financeirapermitiu às firmas de Wall Street que adotassem umcomportamento relapso que recheou seus lucros e engordou osbônus dos executivos quando os tempos eram bons", disse. Ele defendeu que o Fed pare de ajudar instituições em crisee se preocupe mais em fortalecer o dólar. Por outro lado, seu consultor econômico Doug Holtz-Eakindisse que McCain apóia o pacote de resgate esboçado pelogoverno de George W. Bush e pelo Congresso. "Ele aprova todasas propostas que tratem responsavelmente desta crise", afirmou. Ao longo de toda a sua carreira política, McCain sempre foicontra o excesso de regulamentações sobre a iniciativa privada,mas nos últimos dias passou a dar mais ênfase à necessidade desupervisão do setor financeiro. BATALHA EM WALL STREET A crise de Wall Street virou mais um ingrediente naacirrada batalha que Obama e McCain travam para as eleições de4 de novembro, acusando-se mutuamente de terem participação nascausas do problema. As pesquisas se voltaram a favor de Obama, anulando apequena vantagem que McCain havia construído depois daConvenção Nacional Republicana. Na sexta-feira, o republicano atacou seu adversário porsuas ligações com James Johnson, ex-executivo-chefe dainstituição hipotecária Fannie Mae, que neste mês recebeu umainjeção de capital do governo para poder sobreviver, junto comoutra instituição conhecida como Freddie Mac. Johnson chegou a comandar a busca por um candidato a vicena chapa de Obama, mas abandonou a função sob acusações de terrecebido empréstimos com taxas privilegiadas da CountrywideFinancial, uma empresa envolvida na crise hipotecária nos EUA. "Ouvimos muitas palavras do senador Obama ao longo da suacampanha, mas talvez só desta vez ele poderia nos poupar dossermões e admitir que sua má avaliação contribuiu com essesproblemas", disse McCain. Obama, por sua vez, acusa McCain de contratar lobistas deWashington para defender sua campanha, e na sexta-feira suacampanha divulgou um email citando artigos em jornais segundoos quais o ex-lobista Rick Davis, coordenador da campanharepublicana, teria se empenhado contra a regulamentação daFannie Mae e do Freddie Mac. (Reportagem adicional de John Whitesides)

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