McCain endossa apelo de Palin por apoio ao Tea Party

O senador republicano pelo Arizona John McCain endossou hoje o apelo feito pela ex-governadora do Alasca Sarah Palin para que os candidatos do Partido Republicano acabem aderindo à mensagem do grupo ultraconservador Tea Party nas eleições norte-americanas do próximo dia 2. Os Estados Unidos vão renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (deputados), 37 das 100 cadeiras do Senado e 36 dos 50 governos estaduais.

AE-AP, Agência Estado

19 de outubro de 2010 | 14h52

McCain, em apoio a Palin, que foi candidata à vice-presidente na sua chapa em 2008, reconheceu que o movimento, que antes era marginal entre os republicanos, agora se moveu para o centro do palco político norte-americano, numa atmosfera bastante dividida e acirrada entre os democratas e republicanos.

O senador disse em um programa na televisão na manhã de hoje que os republicanos "traíram nossa base, particularmente na área de responsabilidade fiscal", quando tomaram de volta o controle do Congresso em 1994. "O que a Sarah está dizendo é: ''Nós temos que virar republicanos responsáveis na área fiscal'', essa é a mensagem contra os gastos e impostos."

Mesmo que o Tea Party tenha dado impulso aos republicanos neste ano, alguns candidatos poderão reduzir as chances do partido obter cadeiras no Senado. No Estado de Delaware, por exemplo, a candidata republicana Christine O''Donnell, que obteve uma vitória incontestável nas primárias republicanas sobre Mike Castle, está tendo um desempenho medíocre na corrida por uma cadeira no Senado, após uma série de gafes.

O oponente democrata de O''Donnell, Chris Coons, lidera as pesquisas de intenção de voto. O''Donnell, por exemplo, mostrou um grande desconhecimento sobre a Constituição dos EUA, perguntando a Coons, em um debate, em qual trecho a Carta Magna estabelecia uma separação entre Estado e igreja, ao que o democrata respondeu que é na primeira emenda.

Desde a derrota de McCain e Palin para Barack Obama em 2008, a ex-governadora do Alasca tem canalizado sua mensagem ultraconservadora por meio do movimento Tea Party, que foi abraçado pela maioria dos republicanos, os quais devem conquistar o controle da Câmara dos Representantes nas eleições de 2 de novembro.

O compromisso dos conservadores de reduzir os gastos do governo, reduzir os impostos e diminuir o tamanho do Estado ganhou um impulso significativo em 2010, particularmente com a luta não muito bem sucedida de Obama para revigorar a economia e reduzir o desemprego. A taxa de desemprego nos EUA permanece em torno dos 10%, logo após a pior recessão desde a Grande Depressão do começo dos anos 1930.

A economia cambaleante facilmente ofuscou os ganhos legislativos de Obama e dos democratas. A oposição culpa o governo pelo déficit crescente, embora Obama e seus aliados políticos tenham garantido, com apoio de economistas de renome, que, se o governo não tivessem injetado US$ 800 bilhões na economia, teria havido uma segunda depressão.

Os eleitores, contudo, parecem esquecer que o ex-presidente George W. Bush tomou controle do governo em 2001 com um superávit, mas deixou a Casa Branca, oito anos depois, com um enorme déficit. A recessão também começou um ano antes de Bush passar o cargo a Obama.

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