McCain fez campanha até o fim

Mesmo com cenário desfavorável, republicano não desistiu e buscou votos até o último minuto da eleição

Denise Chrispim Marin, PHOENIX, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

Mesmo diante da possibilidade da derrota, o republicano John McCain demonstrou ontem que não desistiria nem no último minuto. No Arizona, sua terra natal e base eleitoral, McCain votou pela manhã e seguiu em disparada para conquistar os votos ainda indecisos no Novo México e no Colorado, Estados nos quais o democrata Barack Obama mantinha uma vantagem de 6 pontos porcentuais na preferência do eleitorado. Ainda ontem, o republicano prometia estar presente na "Noite da Vitória Eleitoral", evento em Phoenix que, após a derrota, tornou-se manifestação coletiva de solidariedade e lamento ao fim insólito de sua campanha.Com sérios riscos de perder as eleições em seu Estado, onde tem apenas 3,5 pontos de vantagem sobre Obama, McCain ainda tentou nos últimos dias superar erros estratégicos de sua campanha. Em especial, a insensibilidade em perceber a mudança no perfil do eleitorado nos antigos redutos republicanos e a incapacidade de desvincular-se da imagem do presidente George W. Bush. Herói da Guerra do Vietnã e senador pelo Arizona desde 1982, McCain empreendera anteontem um tremendo esforço para reverter votos conquistados por Obama, especialmente nos Estados onde o Partido Republicano havia vencido as últimas eleições presidenciais. Na segunda-feira, ele percorreu 5.900 quilômetros com paradas em sete Estados. Chegou a sua fazenda em Sedona, a cerca de 100 quilômetros de Phoenix, às 2h27 de ontem e, às 9 horas, estava pronto para votar na Igreja Metodista Unida Albright, no centro de Phoenix, ao lado da mulher, Cindy. A candidata a vice na chapa republicana, Sarah Palin, votou ontem em Wasilla, no Alasca, acompanhada do marido, Todd. Na ocasião, a governadora do Alasca afirmou que a eleição de ontem era um "acontecimento histórico" e estava otimista com o resultado."É uma pena que (a campanha) tenha terminado porque tem sido muito inebriante. Foi uma das mais incríveis experiências que alguém pode ter", afirmou McCain à rede ABC, antes da abertura das sessões eleitorais, às 7 horas. "A gente sempre faz melhor quando está um pouco por baixo."A energia de McCain esmoreceu, entretanto, justamente no local onde, estrategicamente, jamais poderia ter havido um vacilo - em Prescott, no Arizona, onde o republicano lançou suas sucessivas candidaturas ao Senado. Na noite de anteontem, cerca de 5.000 pessoas, sobretudo adolescentes e jovens adultos, o esperaram por mais de três horas debaixo de sereno e frio na frente do tribunal do Condado de Yavapai. O comício marcaria o fim de sua força-tarefa pelos outros seis Estados e teria o significado simbólico de atá-lo à sua base mais fiel.McCain chegou ao evento com 32 minutos de atraso. Despachou os dois teleprompters armados para uma possível leitura do discurso, tomou o microfone e, circulando e voltando-se para a platéia, fez um pífio discurso improvisado de 13 minutos.Prometeu reverter o quadro econômico crítico do país, limpar a corrupção e tratar das questões de segurança nacional como a "prioridade número 1". Apelou para veteranos, agradeceu às famílias de militares em serviço no exterior e reforçou seu slogan "o país em primeiro lugar".Mais emoção teve a platéia ao ouvir, pouco antes, um show do cantor de música country Hank Willians Jr. e ao observar, sem reação, como um policial algemou, arrastou e carregou a estudante Emma Howeland-Bowton, de 22 anos, para fora da área do comício. Seu "crime" foi ter levantado um cartaz em favor do casamento homossexual. Segundo a polícia local, aquele evento era privado e, portanto, nada que não fosse em prol da candidatura de McCain seria permitido.A repórter viajou a convite do Departamento de Estado

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