McCain luta por apoio em seu partido

Republicanos mais conservadores não aceitam suas políticas moderadas

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2008 | 00h00

O rebelde John McCain pode surgir hoje como o potencial candidato republicano à presidência dos Estados Unidos e terá uma longa batalha pela frente para unir seu próprio partido e vencer os democratas.As alas mais conservadoras do Partido Republicano estão protestando contra a aparentemente inevitável indicação de McCain. ''''Se McCain for o indicado, então Hillary (Clinton) será minha candidata, pois ela é mais conservadora do que ele'''', esbravejou a colunista de direita Ann Coulter nesta semana.Rush Limbaugh, cujo programa de rádio tem mais de 20 milhões de ouvintes, lançou uma cruzada anti-McCain. ''''Perdi a conta de quantas vezes McCain apunhalou o Partido Republicano pelas costas'''', disse Limbaugh em seu programa na segunda-feira, e voltou a conclamar os eleitores a não votar no candidato.Os mais reacionários não engolem as as posições mais moderadas de McCain. O senador do Arizona foi co-autor de uma lei que previa uma caminho para a legalização de imigrantes clandestinos nos Estados Unidos. Em contraste, seu rival Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, faz a promessa pouco realista de que vai mandar os 12 milhões de imigrantes ilegais de volta para casa.McCain também foi co-autor de uma lei ambiental que estabelece o sistema de leilões de créditos de carbono e limites em emissões de gases poluentes - a proposta desagrada a bancada empresarial republicana. Inicialmente, McCain se opôs aos cortes de impostos do presidente George W. Bush, dizendo que só favoreciam ricos. Isso irritou a ala do partido que apóia essa política. Mas o fato é que McCain constantemente se alia a políticos democratas para conseguir aprovar leis no Congresso e esse bipartidarismo desagrada a facção ultraconservadora dos republicanos.''''Aqui está meu democrata favorito, Joe Lieberman'''', disse McCain ontem em comício em Nova York, apresentando o senador e seu amigo, que atualmente é independente.Por outro lado, é justamente esse bipartidarismo que dá força a McCain com moderados e independentes.''''Eu sou um moderado e acho muito positivo o fato de McCain trabalhar em parceria com os democratas para conseguir aprovar leis, além de ele ser o melhor em política externa'''', disse o estudante Christopher White, de 20 anos.Pelo fato de McCain conseguir atrair essa fatia do eleitorado, o Partido Republicano ressuscitou. Em meio ao atoleiro do Iraque, com a economia em recessão e Bush com popularidade abaixo de 30%, seria impensável o Partido Republicano ter um candidato competitivo nesta eleição. Mas McCain empata com Obama e ganha de Hillary em pesquisas nacionais.''''O maior desafio de McCain é continuar inspirando os moderados enquanto passa pelo crivo dos conservadores em questões como imigração e cortes de impostos'''', diz John Della Volpe, diretor de pesquisas do Instituto de Política da Universidade Harvard.McCain engajou-se na estratégia delicada de conquistar o eleitorado conservador sem afastar os moderados - principalmente reforçando suas credenciais de linha dura em política externa.''''Não duvidem da dedicação do inimigo, ele é implacável.Mas nós não vamos nos render nunca, eu vou seguir Osama bin Laden até os portões do inferno se for necessário'''', disse o belicoso McCain ontem, depois de subir ao palanque com a trilha sonora de Rocky, o Lutador. ''''Não podemos deixar que os democratas marquem uma data para a retirada das tropas do Iraque.''''No comício de ontem, no Rockfeller Center, McCain foi apresentado pelo ex-prefeito de Nova York e ex-presidenciável Rudy Giuliani como o melhor ''''comandante da nação''''.O senador também levou sua mãe, a elegante Roberta McCain, que tem 95 anos. ''''Meus amigos, se alguém tem ressalvas por causa da minha idade, aqui está minha mãe'''', disse o senador de 71 anos.Steve Alfasi, veterano da primeira Guerra do Golfo, aprovou o discurso. ''''Não concordo com as políticas de McCain para imigração, mas admiro o fato de ele não colocar o partido acima de suas convicções'''', disse Alfasi. ''''McCain é um herói de guerra e será o melhor líder para o país'''', acrescentou Alfasi, referindo-se ao passado de McCain, que foi prisioneiro de guerra no Vietnã por cinco anos.De olho em pessoas como Alfasi, alguns comentaristas conservadores estão pregando mais realismo aos eleitores. William Kristol conclamou os eleitores, em sua coluna desta semana no New York Times, a deixar de lado seus pruridos sobre a ''''pureza do conservadorismo'''' de McCain e abraçar a candidatura do senador, porque ele representa a maior chance de os republicanos derrotarem os democratas nas eleições de novembro.95delegados conquistados até a Superterça

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