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McCain, opção pela segurança nacional

Na semana passada, defendi uma vitória de John McCain. Nesse mundo perigoso que ingressa em uma era de proliferação nuclear descontrolada, a escolha entre o candidato mais preparado em política externa em relação a um novato sem nenhuma experiência não é tão simples.Nenhum dos dois candidatos conhecem muito profundamente economia nem são donos de instintos econômicos perfeitamente apurados. Nenhum tem idéia clara do que é preciso fazer no atual caos financeiro. Tanto McCain quanto Barack Obama montaram boas equipes econômicas que podem divergir nos detalhes dos seus planos, mas têm apresentado estratégias razoáveis para administrar a crise. Quanto às questões internas, McCain é o conservador moderado que a mídia e o establishment político antes preferiam - o defensor de inúmeras heresias conservadoras que o converteram num problema para os republicanos do Congresso e para George W. Bush. Mas agora que McCain prega a "audácia da esperança", seus amigos afastam-se dele, alegando que ele se tornou um direitista.Besteira. McCain é o que sempre foi. Ele quer um governo para enfrentar enormes passivos, como a Previdência Social e o Medicare (para idosos). E defende uma redução dos impostos das empresas e das alíquotas marginais, a fim de estimular os empreendedores e a criação de empregos.É um programa eclético, moderado e em geral centrista de um sujeito que se dedica ao bipartidarismo de maneira quase congênita.BIPARTIDARISMOObama fala cada vez menos de bipartidarismo, que era o cartão de visita de sua fase messiânica inicial. Não precisa fazer isto. Se ele ganhar, terá ampla maioria em ambas as Casas. E, ao contrário de Clinton em 1992, Obama não é de centro.O que os americanos ganharão?1) A assinatura da ficha de adesão a um sindicato, o que significa a abolição do voto secreto na constituição de um sindicato no local de trabalho.2) A chamada "Doutrina Justa" - um projeto de Nancy Pelosi e importantes senadores democratas, um arremedo do estilo de Hugo Chávez destinado a abolir a conversa conservadora pelo rádio.3) Juízes que vão além da criatividade constitucional esperada de funcionários democratas designados - juízes com "empatia" para com os "pobres, os negros, os gays, os deficientes ou os velhos". 4) Um aumento sem precedentes dos poderes do governo. Na realidade, isso já aconteceu. Um governo conservador já estatizou parcialmente o setor hipotecário, o de seguros e nove dos maiores bancos americanos.As pessoas em geral engolem isso porque compreendem que a crise atual exige medidas extraordinárias. A diferença é que os conservadores são instintivamente propensos a tornar essas medidas temporárias, enquanto um governo Obama achará irresistível a tentação de usar os instrumentos herdados - US$ 700 bilhões de gastos em grande parte sem fiscalização - como uma oportunidade única na vida para reconstruir radicalmente a economia e o pacto social americano.Isso não é socialismo. Nem é o fim do mundo. Entretanto, seria uma guinada de caráter decididamente esquerdista , do gênero da Grande Sociedade, de Lyndon Johnson. A alternativa é um governo com um conservador moderado para presidir uma administração dividida e propensa a resistir a um modelo social-democrata que estabelece controles sobre a vida econômica e social. A opção pela segurança nacional é incontestável. A escolha da política interna é mais ambígua por ser ideológica. McCain é o candidato de centro-direita. Entretanto, este país, de centro-direita, está prestes a rejeitá-lo. O anseio por uma catarse anti-republicana e a promessa da esperança de Obama são fortes demais. A prestação de contas virá no dia seguinte. * Charles Krauthammer é comentarista políticoATRIBUTOSCoerência: McCain não se tornou um direitista. Ele continua sendo o que sempre foiIdeologia: Moderado, o republicano defende o bipartidarismo de forma quase congênitaMeta: Ele promete cortar impostos e criar empregos

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