McCain tenta renovar o fôlego de sua campanha nos EUA

O candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, John McCain, que tenta reconquistar terreno 11 dias antes da eleição de 4 de novembro, disse na sexta-feira ter uma dura batalha contra o democrata Barack Obama no Estado do Colorado, mas prometeu dar a volta por cima. Atualmente em queda nas pesquisas de intenção de voto, McCain, senador pelo Arizona, tem grandes desafios a superar em vários dos Estados decisivos. No entanto, o candidato e seus assessores ainda acreditam na vitória não obstante os fortes ventos políticos que sopram contra ele. "Este vai ser um Estado difícil, meus amigos, e vamos ficar acordados até tarde da noite (no dia do pleito), mas vamos ganhar aqui", afirmou o republicano diante de uma barulhenta platéia em Denver, no primeiro dos três comícios que realizará nesse Estado. A situação difícil enfrentada por McCain foi citada por John Elway, ex-quarterback do Denver Broncos famoso por virar o placar no final de jogos de futebol americano. Elway foi um dos que apresentaram o candidato. "Senador, estamos no quarto período", disse o ex-jogador. "Alguns especialistas já o dão como carta fora do baralho. Mas eu sei alguma coisa sobre dar a volta por cima, e eu estou ansioso para ver o dia 4 de novembro, quando o senhor, mais uma vez, provará que esses especialistas estão errados e será eleito o nosso próximo presidente dos EUA." McCain, como vem fazendo ao longo da semana, argumentou que Obama, senador pelo Estado de Illinois, elevará os impostos cobrados das pequenas empresas. E mais uma vez repetiu o comentário recente feito pelo democrata para um morador de Ohio, Joe Wurzelbacher, também conhecido como "Joe, o encanador", sobre querer "distribuir a riqueza". "O colossal aumento de impostos do meu adversário é exatamente a forma errada de agir em um momento de desaceleração da economia", disse. Obama, no Havaí para visitar sua avó gravemente doente, afirmou ao programa "Good Morning America", do canal ABC, que não lamenta ter feito o comentário responsável por dar a McCain esperanças de recuperação. DESERTORES DE PESO "De forma nenhuma", disse Obama. "Para nós, continuar dando descontos fiscais para grandes empresas e os mais ricos ao invés de à classe média que precisa desesperadamente de ajuda neste momento seria ruim não apenas para as famílias mas para a economia como um todo." Segundo pesquisas, McCain está enfrentando dificuldades em Estados que antes eram bastiões republicanos. O candidato encontra-se cinco pontos percentuais atrás de Obama no Colorado, cerca de seis em Ohio, dois na Flórida, dois na Carolina do Norte e três em Nevada e Missouri, revelou a média de pesquisas realizadas nesses Estados e compiladas pela realclearpolitics.com. Alguns republicanos de peso já debandaram para o lado de Obama, entre os quais o ex-secretário de Estado Colin Powell, o ex-porta-voz da Casa Branca Scott McClellan -- os dois trabalharam no governo do hoje presidente, George W. Bush -- e o ex-governador de Massachusetts William Weld. Os assessores de McCain acreditam que o republicano vem conquistando espaço com a investida "Joe, o encanador" contra o plano fiscal de Obama e dizem que ele continuará a abordar o tema nos próximos dias. Em seu discurso, o republicano defendeu ainda um plano de 300 bilhões de dólares para comprar hipotecas problemáticas, permitindo aos proprietários de imóveis que buscassem melhores taxas para seus empréstimos. "Ontem, ficamos sabendo que o número de hipotecas protestadas subiu 71 por cento no último trimestre. E que o governo (Bush) está finalmente elaborando um plano a fim de combater o problema. Permitam-se dizer isto: já era tempo", afirmou McCain.

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