McCain tenta superar ''déficit de entusiasmo'' em reunião republicana

O candidato John McCain aposta na Convenção Republicana para acabar com o "déficit de entusiasmo" de sua candidatura. Enquanto o democrata Barack Obama atrai milhares de voluntários e multidões para seus comícios, os eleitores de McCain estão mais conformados do que entusiasmados. A escolha de Sarah Palin, governadora do Alasca, trouxe um jato de ânimo para a campanha e energizou os conservadores em questões sociais. Agora, McCain precisa aproveitar esse embalo para decolar nas pesquisas. Anúncio de vice injeta um pouco de ânimo na campanha, que assessores querem fazer decolar com convenção Acompanhe online as notícias sobre eleições nos Estados Unidos Confira especial com análises, pesquisas, plataforma Veja fotos de Sarah Palin, a vice de John McCainPara Michael Fauntroy, professor de política pública da George Mason University, a principal missão de McCain na convenção é "energizar os republicanos ao redor do país e convencê-los de que ele realmente tem chance de vencer a eleição". Embora McCain e Obama estejam virtualmente empatados nas pesquisas, a percepção dos eleitores do republicano é a de que ele não tem muitas chances em novembro.A escolha de Sarah pode ter recuperado um pouco do otimismo dos eleitores. "McCain roubou parte do holofote de Obama com a escolha de Sarah Palin", diz o estrategista republicano Hollis Felkel. "Palin atua no déficit de entusiasmo da candidatura e deve animar eleitores e delegados."A vice de McCain ajuda principalmente a conquistar votos entre os conservadores em questões sociais, por sua forte oposição ao aborto, casamento gay e apoio ao lobby das armas. Mas outros grupos continuam desanimados: os independentes e a classe operária. O candidato precisa atrair eleitoras como Victoria Bloem, uma gerente que vive em Denver. Victoria é registrada como independente e vota normalmente em republicanos. "Eu sou contra grande intervenção do governo na economia, acho que dá espaço para desperdício e corrupção, por isso voto em republicanos", explica. Mas Victoria está insatisfeita com o governo Bush. Depois de assistir ao discurso de indicação de Obama, na quinta-feira, ela ficou mais entusiasmada com o candidato democrata. "Ele falou em cortar impostos", diz. Mas no dia seguinte, ao saber da indicação de Sarah Palin para a chapa de McCain, voltou a ficar indecisa. "Minha primeira reação foi a de perguntar quem é essa mulher, eu nunca ouvi falar nela", conta. "Mas depois comecei a ler e vi que ela é uma política independente, que denunciou republicanos corruptos e saneou as finanças do Estado. Fiquei interessada."Para sair-se bem com os independentes, McCain terá de se distanciar de George W. Bush de forma mais enérgica e transformar a convenção num grande evento com o lema "McCain, e não Bush", diz Fauntroy. Amanhã, primeira noite da convenção, Bush - um dos mais impopulares presidentes da história, com aprovação em 30% - será o principal orador. O vice-presidente Dick Cheney, que consegue ser ainda menos popular que Bush, também vai subir ao pódio nesta noite. A campanha está tentando equilibrar o calendário da convenção com alguns dos famosos pesos pesados do partido, como o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e o senador independente Joseph Lieberman, grande amigo de Mc Cain. "McCain tem de deixar bem claro que não representa mais quatro anos de governo Bush, mas ao mesmo tempo não pode ofender alguns partidários do presidente", diz Felkel. Isso porque a aprovação de Bush entre os republicanos ainda é de 65%.Neste contexto, voltará a discussão sobre a "autenticidade" de McCain. "A campanha de McCain afundou antes porque ele tinha deixado de ser ele mesmo", diz Felkel. Na campanha, McCain migrou para a direita para conquistar os conservadores que não confiavam nele, mas pode ter-se descaracterizado no processo. O candidato pode ter ficado mais parecido com Bush, e isso ameaça afastar independentes e republicanos moderados. Steve Schmidt, ao assumir como principal estrategista em julho, reorganizou a estrutura da campanha. Para chegar a uma mensagem mais definida, ele podou a espontaneidade do candidato, que dava margem a gafes. Acabaram as sessões descontraídas com repórteres no ônibus de campanha e McCain agora recita tópicos ensaiados. A máquina de ataques republicana está bem azeitada e saiu com uma série de propagandas que atingiram Obama, principalmente a que comparava o democrata às celebridades Paris Hilton e Britney Spears. Não é de surpreender: Schmidt é pupilo de Karl Rove.Mas a mensagem econômica ainda não tem sido eficiente. Para ganhar a classe média branca, McCain precisa ter uma narrativa convincente de que irá ajudar as pessoas que estão perdendo suas casas e seus empregos.Só apostar em prorrogar os cortes de impostos de Bush e explorar petróleo em alto-mar não será suficiente. McCain tem sido atacado por democratas, que o qualificam de um milionário alienado que nem sequer sabe quantas casas possui.

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