McCain tenta vincular Obama a Bush

Para afastar-se do presidente e seu colega de partido, republicano diz que rival repetiria os erros do atual governo

Mark Z. Barabak, Los Angeles Times, Indianápolis, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

John McCain e Barack Obama concordam em pelo menos um ponto: ambos atacam George W. Bush e cada um tenta vincular o outro à política econômica do atual presidente. Na quinta-feira, McCain começou o dia com críticas pesadas a Bush, companheiro de partido, em entrevista ao jornal Washington Times e durante um comício na Flórida, que será crucial para o resultado das eleições.Tecendo comentários a respeito do mais recente relatório oficial sobre emprego, que mostrou que 478 mil americanos solicitaram salário-desemprego na semana passada, McCain parecia o candidato democrata pedindo para trocar o partido que ocupa a Casa Branca. "A única resposta de Barack Obama é insistir no legado do governo Bush de gastos descontrolados, elevar os impostos sobre pequenas empresas, fazer imposições aos empregadores e elevar as barreiras comerciais", afirmou McCain. No mesmo dia, Obama estava em Indianapólis e respondeu. O democrata começou analisando as observações feitas por McCain, lamentando os empregos que são levados para fora dos EUA por empresas que têm isenção fiscal. Discursando para 35 mil pessoas, Obama contra-atacou. "Mais cortes de impostos para a terceirização de empresas no exterior. É o que o senador McCain propôs." DISTÂNCIAO republicano tenta há meses manter-se distante de Bush. No último debate, disse enfaticamente a Obama - e desde então repete a frase - que ele "não é o presidente Bush". O candidato republicano foi ainda mais longe em seus comentários ao Washington Times. Ele bateu duro no presidente por deixar uma montanha de dívidas, não financiar a expansão do sistema de saúde para idosos e abusar do Poder Executivo. "Esses são apenas alguns", disse McCain ao mencionar os pontos em que ele diverge de Bush. Na Casa Branca, a porta-voz do presidente, Dana Perino, deu um resposta sucinta. "Não comentarei as palavras que o nosso candidato escolheu usar. Direi apenas que o presidente se atém a sua política e se mantém leal a McCain." No Meio-Oeste do país, Obama fez apenas uma parada antes de deixar a campanha por dois dias para visitar a avó doente no Havaí. Ele retoma a disputa hoje, em Nevada. Com uma conta bancária recheada e vantagem nas pesquisas de intenções de voto, o democrata visitará apenas lugares nos quais os republicanos ganharam na eleição passada. Na quinta-feira, ele esteve em Indiana, onde um candidato presidencial democrata não vence desde Lyndon Johnson, em 1964. MULTIDÃOObama continua tentando vincular McCain ao presidente Bush. "Tentamos à maneira de John McCain", disse o democrata. "Tentamos à maneira de Bush. Agora chega. Não podemos nos permitir mais quatro anos da mesma política econômica." O discurso de Obama foi uma cena bem diferente do que Indiana se acostumou a presenciar durante mais de uma geração. Eram dezenas de milhares de pessoas espalhadas pelo American Legion Mall, em Indianápolis, mesmo debaixo de muito frio. SINAIS TROCADOSJohn McCainCandidato republicano à Casa Branca"A única resposta de Barack Obama é insistir no legado do governo Bush de gastos descontrolados, elevar os impostos sobre as pequenas empresas, fazer imposições aos empregadores e elevar as barreiras comerciais - receita que comprovadamente transforma momentos de crise econômica em uma conjuntura terrível para a economia"

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